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Trump diz que não vai se envolver após carta de Flávio Bolsonaro e critica segundo turno das eleições brasileiras

Trump diz que não vai se envolver após carta de Flávio Bolsonaro e critica segundo turno das eleições brasileiras

Washington — Por Isabella Menon

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que não pretende se envolver na crise política desencadeada por uma carta publicada pelo senador Flávio Bolsonaro, que chegou aos EUA após deixar o Brasil.

Questionado sobre o teor do pronunciamento do parlamentar — em que Flávio chegou a se apresentar como “o verdadeiro presidente” do país antes de, em seguida, dizer-se apenas “líder do Brasil” —, Trump disse: “Eu não vou comentar sobre isso, mas eu sei que nós autorizamos a entrada dele no país. Então, veremos.”

O presidente norte-americano acrescentou que não pretende tomar partido, mas voltou a criticar o segundo turno das eleições brasileiras: “Não vou me envolver, mas isso foi uma eleição muito estranha. Isso é certeza.”

Trump também declarou conhecer Lula, Flávio e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Sobre este último, afirmou: “O pai foi tratado muito mal. Mas eu não me envolvi. É o Brasil, um outro país.”

Na terça-feira à noite, Trump havia dito que aprovaria a entrada do senador nos EUA, embora na ocasião não soubesse exatamente onde Flávio se encontrava. “Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora”, disse. “Mas eu certamente me aproximaria bastante dele.”

Documentos das autoridades alfandegárias e de proteção dos EUA registram a chegada de Flávio em outubro de 2026 e indicam autorização de permanência até outubro de 2027. O registro aparece classificado como “DT”, correspondente a uma autorização humanitária que permite estadia por um ano.

Uma autoridade do Departamento de Estado confirmou que vistos foram concedidos a Flávio e a familiares, possibilitando a entrada e a permanência no país.

A publicação da carta ocorreu após a derrota de Flávio nas eleições para o presidente Lula (PT). O senador, do PL, chegou a anunciar que pediria a anulação do pleito, mas em vídeo gravado na segunda-feira (26) indicou que desistiria do questionamento. Parte da argumentação de Flávio foca na prorrogação do horário de votação no segundo turno: dados oficiais mostram que apenas 34 mil votos — 0,03% do total — foram registrados após as 17h no domingo, número que contraria a tese de fraude.

Flávio também reclamou da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para a entrega de passaportes. Em entrevista e publicações nas redes, alternou entre declarações de contestação ao resultado e episódios em que afirmou que permaneceria no Brasil para liderar a oposição, antes de embarcar rumo aos Estados Unidos.

O episódio intensificou debates sobre a estabilidade democrática no Brasil e sobre a postura de aliados internacionais diante de contestações ao resultado eleitoral. Nos últimos dias, o presidente dos EUA tem comentado publicamente o processo eleitoral brasileiro, sobretudo a ampliação do horário de votação no segundo turno, mantendo, porém, a afirmação de que não tomou partido na disputa.

Leia também: Lula afirma que foi aconselhado a deixar o país durante prisão em 2019, mas recusou fugir

via Folha de São Paulo

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