Por Marina Costa — São Paulo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em vídeo publicado no Instagram que não cogitou deixar o Brasil e que pretende entregar seus passaportes à Polícia Federal. A manifestação ocorreu na segunda-feira, 26 de outubro, dois dias antes do desembarque do parlamentar e da família em Miami, registrado em 28 de outubro de 2026.
No vídeo, Flávio disse ter sido intimado pela Polícia Federal na saída do condomínio onde mora seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses a que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. O senador também atribuiu a expectativa de “deixar o país” a uma declaração do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, em que este sugeriu que Flávio deveria sair do Brasil se não fosse eleito.
A determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes impede o senador de deixar o território nacional e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, com quem, segundo o processo, Flávio teria ligação. Moraes é o relator do inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio, Willer Tomaz e uma casa de apostas.
Além desse procedimento, o senador é alvo de outro inquérito que investiga se ele solicitou recursos ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Nesse caso, as apurações incluem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
No debate promovido pela Band em 18 de outubro, Flávio provocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao questionar a ausência de investigações sobre um de seus filhos, Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), que responde a três inquéritos por suspeita de tráfico de influência e, segundo o senador, estaria na Espanha. Lula respondeu que seu filho não recebe proteção especial e contrapôs citando o irmão de Flávio, afirmando que Eduardo estaria nos Estados Unidos e atuando contra o país.
Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado em dezembro de 2025 e vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Em junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal o condenou por coação, em processo que o responsabilizou por ações destinadas a intimidar o Judiciário e atrapalhar a apuração de uma trama golpista.
As declarações de Flávio Bolsonaro e as medidas do STF ocorrem no contexto das investigações e decisões judiciais que se intensificaram após as eleições nas quais o senador foi derrotado pelo presidente Lula.
Leia também: Como comprar edições impressas antigas do jornal que trouxe o resultado da eleição — preço, retirada e envio










