Home / Política / Lula afirma que foi aconselhado a deixar o país durante prisão em 2019, mas recusou fugir

Lula afirma que foi aconselhado a deixar o país durante prisão em 2019, mas recusou fugir

Lula afirma que foi aconselhado a deixar o país durante prisão em 2019, mas recusou fugir

Em abril de 2019, já detido sob acusação de corrupção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou que recebeu conselhos para deixar o Brasil, mas optou por permanecer no país e enfrentar as investigações.

Na ocasião, Lula disse que muitas pessoas sugeriram que ele buscasse abrigo em uma embaixada ou fugisse; sua decisão, afirmou, foi permanecer em solo brasileiro. “O meu lugar é aqui”, declarou, segundo entrevistas concedidas à imprensa naquela época.

O ex-presidente também criticou adversários políticos que, na sua avaliação, adotavam posturas subservientes em relação aos Estados Unidos e estavam dispostos a “entregar o Brasil aos americanos”. Em trechos da conversa, Lula afirmou não ter visto antes um chefe de Estado demonstrar tanta admiração pública pelos EUA e disse que o país deve buscar soluções internas: “Quem tem que fazer por nós somos nós. A solução dos problemas do Brasil está dentro do Brasil”.

Na íntegra da entrevista, palavras como “Brasil” e “povo brasileiro” aparecem mais de sessenta vezes, segundo o próprio relato do ex-presidente, que declarou também que, ao sair da prisão, estaria “com o pé na estrada” para mobilizar a população e combater o que chamou de “complexo de vira-lata”.

O episódio volta a ser lembrado após Lula ter sido reeleito para um quarto mandato no domingo, 25 de outubro de 2026.

O texto recorda ainda desdobramentos políticos posteriores: após perder a eleição, o senador Flávio Bolsonaro deixou o país e foi para Miami, nos Estados Unidos, onde aliados divulgaram uma carta em que ele inicialmente se autodeclarava “presidente eleito” — termo depois alterado para “líder do Brasil”. Um dia antes da fuga, o próprio senador havia afirmado que não tinha pensado em deixar o país.

O irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, defendeu publicamente que Flávio deveria deixar o Brasil caso perdesse as eleições. Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, onde, segundo relatos, tem buscado, junto a aliados como Paulo Figueiredo, medidas como sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal e restrições tarifárias a produtos brasileiros.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações que haviam levado Lula à prisão durante a operação Lava Jato, por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para processar os casos. A decisão da corte também considerou que o então juiz responsável, Sérgio Moro, teve conduta parcial no processo que culminou na condenação do ex-presidente.

As declarações de 2019 são frequentemente citadas em debates sobre resistência nas crises políticas do país e sobre posicionamentos internacionais adotados por dirigentes brasileiros nos últimos anos.

Leia também: Morador da Barra viraliza ao criticar Flávio Bolsonaro após saída do país; vídeos somam mais de 5 milhões de visualizações

via Folha de São Paulo

Marcado: