Brasília — Em discurso nesta terça-feira (27.out.2026), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que os filiados do partido estão autorizados a aceitar convites para integrar a equipe do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, desde que o partido preserve autonomia em relação ao Palácio do Planalto.
Kassab fez a declaração durante um evento do Dominium Group na capital federal. Segundo ele, a direção do PSD não exigirá que membros recusem espaços na Esplanada, mas deixou claro que eventual participação não significará submissão do partido.
O dirigente também comentou a virada eleitoral no segundo turno, em que Lula superou Flávio Bolsonaro. Para Kassab, o desempenho do petista cresceu ao longo do processo eleitoral enquanto o candidato do PL ficou estagnado, e a estratégia do chamado “voto útil” acabou transferindo parte dos eleitores para Lula.
O PSD manteve neutralidade na disputa do segundo turno após a derrota de seu candidato, Ronaldo Caiado, no primeiro turno — postura diferente da adotada por outros partidos do centrão, que declararam apoio a Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, integrantes da legenda esperam que essa neutralidade seja recompensada com participação na distribuição de cargos no Executivo. Na atual gestão, o PSD chegou a chefiar as pastas da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca.
Sobre a ordem do dia no Congresso, Kassab defendeu uma reforma do sistema eleitoral e afirmou que o PSD vai exigir apoio interno ao modelo do voto distrital misto. Ele citou como exemplo figuras do PL, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que, segundo o presidente do PSD, acumularam mais de 3 milhões de votos por meio de forte atuação digital, contribuindo para a eleição de colegas de bancada.
O presidente do PSD criticou a lógica atual da eleição proporcional, argumentando que grande parte dos eleitores de determinados deputados não tem contato direto com esses candidatos. Em seguida, explicou — de forma sucinta — como funcionaria o distrital misto: metade das cadeiras seria definida por disputas em distritos locais e a outra metade por listas partidárias, combinando eleição por candidatos e por legenda.
Kassab informou que o partido irá “fechar questão” em defesa do distrital misto e que filiados que não apoiarem a posição poderão ser convidados a deixar a legenda. O dirigente afirmou ainda haver expectativa de que o Congresso vote uma reforma eleitoral ainda neste ano, antes da posse da nova bancada do PL, que obteve 121 cadeiras na Câmara e 29 no Senado.
Na mesma intervenção, Kassab propôs alterações para os tribunais superiores. Entre as medidas defendidas estão:
- fixar idade mínima de 60 anos para nomeações;
- estabelecer mandato de 12 anos para ministros de cortes superiores;
- implementar períodos de transição pós-mandato, com restrições à atuação imediata em determinadas atividades — ele citou prazos escalonados como dois anos sem emitir pareceres, quatro anos sem exercer a advocacia e oito anos sem disputar cargos eletivos.
O presidente do PSD ressaltou que a proposta de reforma do Judiciário ganhou força no debate público após o escândalo envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, tema que esteve entre os assuntos centrais da eleição.
Foto: Gilberto Kassab durante filiação de Silvia Abravanel ao PSD, 24.mar.2026. Crédito: Rafaela Araújo / Folhapress.
Reportagem de Augusto Tenório.
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