A Polícia Federal descreveu um “risco concreto de evasão do território nacional” em manifestação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no dia 25 de outubro de 2026, e pediu a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O pedido foi apresentado logo após a derrota de Flávio no segundo turno das eleições presidenciais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em seguida, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes nacionais do senador e exigiu a entrega de eventuais documentos de outra nacionalidade.
Segundo a PF, a solicitação tem como um dos fundamentos um precedente: a saída do advogado Willer Tomaz do país em 25 de agosto de 2026, aparentemente rumo a Miami, sem registro de retorno, mesmo após decisão judicial que havia proibido sua saída e cancelado seus passaportes. A Polícia Federal afirmou nos autos que Tomaz dispõe de recursos suficientes para permanecer indefinidamente no exterior.
O relatório da corporação também menciona indícios de que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, manteria nos Estados Unidos uma estrutura que possibilitaria estadia de longa duração. A PF relacionou essas suspeitas a investigações sobre remessas de recursos do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, destinadas ao filme “Dark Horse”, que trata do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Há apuração sobre a possível utilização de parte desses recursos para custear permanência de integrantes do grupo no exterior.
Na manifestação, a Polícia Federal cita ainda declarações públicas de Eduardo Bolsonaro nas quais ele sugeria que o irmão deixasse o país caso fosse derrotado nas eleições — elemento que, segundo a PF, reforçaria o risco de escapada sob o argumento de perseguição política, que o órgão afirma não haver comprovado.
O senador Flávio Bolsonaro rebateu as medidas em vídeo divulgado nas redes sociais. Ele afirmou que a apreensão do passaporte teria sido motivada por um comentário do irmão e questionou se, caso tivesse vencido as eleições, a ação da PF teria ocorrido da mesma forma. Flávio declarou que foi intimado quando saia da casa do pai, em Brasília, no dia 26 de outubro, negou intenção de deixar o país e disse que entregaria seus passaportes.
Na segunda-feira (26), a intimação foi cumprida; no dia seguinte (27), aliados informaram que Flávio teria saído do Brasil rumo aos Estados Unidos acompanhado da esposa e das duas filhas.
O contexto inclui ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo a mais de 27 anos de prisão por atos relacionados à tentativa de golpe em 2022. A PF ressaltou, nos autos, que as condenações mencionadas foram proferidas por juízo competente, em órgão colegiado, com observância do devido processo legal — argumento usado para rebater a alegação de perseguição política.
As medidas tomadas por Moraes e a manifestação da Polícia Federal integram investigações em curso que ligam o senador e pessoas do seu círculo a apurações sobre possível lavagem de dinheiro e outros ilícitos; os despachos e as decisões judiciais relacionadas permanecem sujeitos a novos desdobramentos processuais.











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