Nova York, 27 de outubro de 2026 — Após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, escritórios de advocacia e consultorias de imigração nos Estados Unidos relataram um aumento expressivo de brasileiros interessadas em migrar para o país.
O fundador da Piquet Law Firm, escritório com sede em Miami (Flórida), informou ter recebido 700 consultas ao longo da segunda‑feira (26). Em condições normais, o fluxo do escritório varia entre 500 e 600 contatos por mês. Dessas 700 manifestações iniciais, cerca de 150 foram avaliadas como potenciais candidatas a algum tipo de visto, segundo Alexandre Piquet.
Em Orlando, a Bicalho Legal Consulting contabilizou 643 avaliações apenas naquele dia, número bem superior à média diária de aproximadamente 20 novos contatos relatada pelo fundador Vinícius Bicalho. Ele acrescenta que, historicamente, cerca de 10% desses interessados acabam dando sequência aos processos.
Os escritórios dizem observar que surtos de procura por assessoria de imigração no Brasil tendem a ocorrer após períodos eleitorais — fenômeno notado desde a disputa de 2014 e repetido em 2022 —, mas afirmam que a intensidade registrada agora é inédita em suas bases.
Segundo os advogados, o perfil predominante entre os que procuram os serviços são famílias com capacidade para investir nos Estados Unidos, especialmente no mercado imobiliário, e profissionais com alta qualificação técnica ou acadêmica. Entre os vistos mais solicitados estão o EB‑5 — que exige investimento de US$ 800 mil (aproximadamente R$ 4,2 milhões) em projetos locais para possibilitar o green card —, o EB‑1A (destinado a indivíduos com habilidades extraordinárias) e o EB‑2 NIW (destinado a profissionais com habilidades excepcionais, que pleiteiam dispensa de oferta de emprego por interesse nacional).
As consultorias esclarecem que os números citados referem‑se às etapas iniciais do atendimento, como o preenchimento de questionários para avaliar a elegibilidade do caso e identificar quais categorias de visto se aplicam.
O aumento de buscas também teve episódios pontuais antes da eleição: em setembro houve uma escalada de consultas no dia seguinte a uma sessão do Supremo Tribunal Federal relacionada a possível investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, julgamento que acabou adiado após pedido de vista do ministro Flávio Dino, segundo relatos dos escritórios.
Embora a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, tenha intensificado ações contra a imigração irregular — com aumento de deportações e maior controle na fronteira com o México —, as firmas afirmam que essas medidas não mudaram o processamento de vistos regulares, em especial os baseados em investimento.
Dados do Itamaraty indicam que há ao menos 2 milhões de brasileiros vivendo nos Estados Unidos, com concentrações significativas em Miami e Orlando (Flórida), Boston (Massachusetts), e nas áreas de Nova York e Nova Jersey.
Na votação entre eleitores brasileiros que residem nos EUA, a tendência de apoio a candidatos de direita se manteve no segundo turno: o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 61,45% dos votos no país, contra 36,63% para Lula. Flávio teve maioria em cidades como Atlanta, Boston, Hartford, Houston, Miami e Orlando; Lula liderou em Chicago, Los Angeles, Nova York, San Francisco e Washington.
Especialistas e advogados de imigração consultados pela reportagem ressaltam que, apesar do aumento do interesse, apenas uma parcela dos consultantes avança para iniciar processos formais; o caminho até a obtenção de vistos ou do green card costuma envolver prazos, custos elevados e avaliação técnica detalhada.
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