São Paulo, 26.out.2026 — Diplomatas alinhados ao bolsonarismo chegaram a circular, na semana passada, a minuta de um programa de demissão voluntária dentro do Itamaraty. A mobilização teria ocorrido em reação a declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro — que mora nos Estados Unidos — em que ele ameaçou promover uma “faxina” no ministério, mirando, segundo interlocutores, servidores de carreira apontados como contrários ao governo de Jair Bolsonaro.
A proposta enviada entre colegas previa estimular que funcionários se antecipassem a possíveis medidas de retaliação, aceitando desligamento da carreira em troca de um pacote de benefícios. Fontes consultadas descrevem a iniciativa como inspirada em programas de desligamento voluntário adotados por organismos internacionais, que costumam oferecer compensações financeiras e facilidades administrativas para formalizar saídas.
Fontes no Itamaraty ouvidas por pessoas que viram a minuta dizem que a intenção era reduzir riscos para os diplomatas que temessem perseguições políticas, mas a ideia não avançou internamente. Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada no domingo, 25 de outubro de 2026, o movimento — segundo participantes familiarizados com o documento — tende a ser descartado.
Um diplomata ligado à atual gestão, que teve acesso à proposta, reagiu com ironia: afirmou que os idealizadores do plano demonstraram falta de noções da trajetória política do país, lembrando que decisões precipitadas no passado trouxeram consequências para seus autores. O comentário foi divulgado por interlocutores próximos ao ministério.
O episódio ocorre em um momento de tensão nas carreiras públicas que ocupam posições estratégicas do governo, quando ameaças de medidas de retaliação têm gerado especulações sobre alternativas administrativas e jurídicas para proteger servidores de carreira. Especialistas em serviço público observam que programas de demissão voluntária podem reduzir conflitos imediatos, mas também alteram a composição técnica de órgãos essenciais à política externa.
O Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, não se manifestou oficialmente até a publicação desta nota.
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