São Paulo, 27.out.2026 — O PT alcançou no segundo turno deste domingo (25) seu melhor resultado no Sudeste desde 2010, em uma eleição marcada pela perda de força do bolsonarismo na região, mesmo com a vitória do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, naquele colégio eleitoral.
O Sudeste, maior colégio eleitoral do país, tem 66,3 milhões de eleitores e concentrou 41% dos votos válidos no segundo turno. Nesse peso demográfico, cada ponto percentual na região equivale a cerca de 509 mil votos válidos — comparativamente, um ponto no Norte representa aproximadamente 100 mil votos.
Historicamente, a última vez que o PT obteve maioria no Sudeste em um segundo turno foi em 2010, quando Dilma Rousseff venceu José Serra com 51,9% dos votos válidos. Desde então a região não costumava ser favorável ao petismo, embora tenha se aproximado do partido desde 2022.
Dados consolidados mostram que a diferença entre a votação de Lula e a de Flávio no Sudeste foi de 2,8 milhões de votos nesta eleição. Em termos absolutos, Lula teve 1,2 milhão de votos a mais no Sudeste do que recebeu há quatro anos; Flávio obteve cerca de 200 mil votos a menos que o pai (Jair Bolsonaro) no segundo turno de 2022.
Para o cientista político Carlos Melo (Insper), a decisão no Sudeste refletiu, em grande parte, uma onda antibolsonarista nas semanas finais da campanha. “O que elegeu o Lula não foi apenas o Nordeste, mas também a perda de espaço do bolsonarismo no Sudeste”, afirmou Melo, acrescentando: “Eles perderam na cidade do Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo.” Ele também citou o receio de parte do eleitorado quanto a um eventual retorno do grupo de Bolsonaro ao poder.
Uma virada emblemática deu-se em Minas Gerais, onde Lula venceu por 50,43% a 49,57%, resultado que contribuiu para a vitória nacional do petista, que superou Flávio Bolsonaro por uma margem de 4,4 milhões de votos em todo o país.
No primeiro turno Flávio havia levado vantagem, com 47,03% dos votos válidos ante 45,16% de Lula; a mobilização da campanha petista nas semanas seguintes resultou em uma reversão inédita no segundo turno.
Resumo regional dos resultados no segundo turno:
- Nordeste: Lula obteve votação recorde de 24,4 milhões de votos e venceu Flávio por 13,7 milhões de sufrágios, mantendo a região como grande trunfo para o PT.
- Sul: Os três estados deram 62,6% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro, contra 37,4% para Lula; a vantagem do candidato do PL foi de 4,6 milhões de votos, cerca de 200 mil a mais do que o pai obteve em 2022. O PT não vence a região desde 2002; o desempenho de 2026 supera apenas os 31,7% recebidos por Fernando Haddad em 2018.
- Norte: Disputa mais apertada do segundo turno — Lula 50,01% contra 49,99% de Flávio, diferença de apenas 1.079 votos. A região tem 13,1 milhões de eleitores.
- Centro-Oeste: Flávio manteve patamar semelhante ao de 2022, com 60% dos votos válidos; sua vantagem na região foi de 1,9 milhão de votos, ante 1,8 milhão há quatro anos.
Segundo os números apurados, “a votação do petista em ambas essas regiões, porém, foi recorde em termos absolutos.” Lula foi a escolha de 5 milhões de eleitores no Norte e de 3,7 milhões no Centro-Oeste nesta disputa; em 2022 essas regiões haviam dado ao PT 3,5 milhões e 4,5 milhões de votos, respectivamente.
Especialistas apontam que, além do peso populacional do Sudeste, fatores como o recuo do bolsonarismo urbano e a mobilização da base petista nas últimas semanas explicam a mudança no mapa eleitoral. A combinação desses elementos foi determinante para a reviravolta e para a vitória nacional do candidato petista.
Reportagem: André Fleury Moraes e Nicholas Pretto.
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