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Aliados de Flávio Bolsonaro culpam ‘pacote’ de Lula e evitam mea-culpa após derrota por 51,79% a 48,21%

Aliados de Flávio Bolsonaro culpam 'pacote' de Lula e evitam mea-culpa após derrota por 51,79% a 48,21%

Brasília e São Paulo — Aliados do candidato Flávio Bolsonaro (PL) listaram, nesta segunda-feira (26), uma série de explicações para a derrota no segundo turno das eleições presidenciais, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu por 51,79% a 48,21% no domingo (25).

Entre as justificativas mais repetidas está o conjunto de medidas econômicas anunciadas pelo governo federal nos dias que antecederam a votação — citadas por correligionários como perdão de dívidas de MEIs e reajuste do Bolsa Família — e tratadas por parte da direita como um uso indevido da máquina pública para influenciar o pleito.

Nos bastidores, a ala mais moderada do PL tem colocado ênfase em falhas da própria campanha, mas o reconhecimento público desse mea‑culpa foi adiado. Um dos poucos pronunciamentos nessa direção veio do ex-vereador Fernando Holiday, que disse: “A anulação da eleição e os abusos ocorridos ontem não podem servir de pretexto para que ignoremos nossos erros. É certo que fizemos algo de errado entre o 1º e o 2º turno, não reconhecer isso será a receita para novas derrocadas”.

No domingo, Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que pediria a anulação do pleito e que não reconhecia o resultado. Em seguida, gravou um vídeo em que afirmou que organizará a oposição para “resistir ao caos”. Apesar do tom inicial, a campanha formalizou apenas uma ação eleitoral solicitando a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder, sem questionar o processo de votação ou o resultado apurado. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória do petista.

Outro ponto de contestação citado por aliados foi a prorrogação do horário de votação por duas horas, decisão assinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin; o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que a medida não alterou o resultado. Integrantes do entorno de Flávio relataram que a extensão do horário beneficiou o campo adversário, citando ainda que Zanin foi advogado de Lula na Lava Jato e foi indicado ao STF pelo próprio petista.

Em declaração nesta segunda, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o desfecho deixou “uma quantidade de perguntas sem respostas [que] gera insegurança e indignação”, mas admitiu que a chance de anular o segundo turno é “praticamente nula”, e pediu que apoiadores evitem manifestações nas ruas por ora.

O deputado federal eleito Lucas Pavanatto (PL-SP) defendeu a posição de Flávio de não reconhecer o resultado e classificou a prorrogação do pleito como “absurda”. Ele chegou a afirmar que o responsável pela decisão cometeu “crime de responsabilidade” ao atuar em desacordo com o TSE.

Alguns governadores e eleitos pelo PL foram mais contidos: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), permaneceu em silêncio durante grande parte do dia, após ter publicado nas redes, na noite de domingo, um vídeo questionando a prorrogação do horário de votação. O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL-RJ), disse que respeita a vontade dos eleitores. O senador e governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), afirmou que há “questionamentos da oposição que precisam ser esclarecidos”, e o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), pediu esclarecimentos sobre “interferências abusivas” e dados contraditórios.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reconheceu de forma implícita a vitória de Lula e disse que o grupo de opositores vai fiscalizar o novo governo, lutando por prosperidade e segurança. Entre aliados, a avaliação predominante é a de que o tema mais consistente para contestar o pleito seria o abuso de poder político e econômico, e não irregularidades no processo de votação.

Nos bastidores, há menções a diferentes estimativas sobre o número de votos apurados após as 17h — variando, segundo interlocutores, entre cerca de 5 mil e 34 mil votos — quantia considerada insuficiente para reverter a vantagem de Lula. Cabe lembrar que tanto o PT quanto a campanha de Flávio solicitaram a prorrogação: o PT alegou problemas no transporte público; o PL, dificuldades provocadas pelas chuvas.

Aliados também citaram medidas que poderiam ter estimulado a participação de eleitores mais velhos, como o uso do comparecimento às urnas como prova de vida para o INSS, mecanismo implementado em 2022 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sobre o impacto financeiro das medidas anunciadas pelo governo, correligionários de Flávio chegaram a falar em um “pacote” de R$ 400 bilhões; reportagem anterior registrou um valor de R$ 290 bilhões relacionado às ações. A crítica recorrente é que a sucessão de anúncios às vésperas da votação teria dificultado a ação da campanha de oposição, que não conseguiu explorar o tema sem parecer contrária às benesses.

Reportagem de Carolina Linhares, Thaísa Oliveira e Bruno Ribeiro.

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via Folha de São Paulo

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