Por Gabriela Echenique — Brasília. Publicado em 28.out.2026 às 20h11.
A carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) causou reação imediata entre parlamentares próximos: aliados consultados afirmaram que o teor do documento é perigoso e que a iniciativa surpreendeu integrantes do próprio grupo.
Na primeira versão, o texto chegou a declarar que Flávio seria o “presidente eleito”; em seguida, o trecho foi suavizado e o termo substituído por “líder” do país. Fontes ouvidas disseram que nenhum senador ou deputado ligado ao senador foi consultado antes da publicação.

Um parlamentar próximo ao senador, que preferiu falar sob reserva, afirmou que a carta “ultrapassa o limite do razoável” e alertou que não dá para “esticar a corda” dessa maneira. Outros aliados consultados optaram por não comentar publicamente o episódio.
Rogério Marinho (PL-RN), que atuava como coordenador da campanha de Flávio, declarou em nota pública que não existem provas de fraude nas eleições e que nem ele nem o PL podem sustentar tal alegação. A manifestação buscou distanciar a legenda e a coordenação da campanha do teor contestado do documento.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também criticou o tom do pronunciamento e defendeu que é preciso aceitar o resultado das urnas e seguir em frente, ressaltando a importância de respeitar o processo eleitoral.
A carta chamou atenção ainda por detalhes gráficos e de formatação: reportagem anterior mostrou que o documento trazia um brasão com a palavra “Brazil” escrita com z — elemento que suscitou comentários sobre a composição e o conteúdo do texto.
O episódio aumenta a tensão dentro do grupo político do senador, que já enfrentava repercussões públicas após a divulgação do documento. Parlamentares ouvidos dizem que atitudes desse tipo podem ter consequências eleitorais e políticas para o futuro do alinhamento dentro do PL.
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