Brasília — O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), general da reserva e ex-vice-presidente, descreveu como “pura ação política” a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua saída do Brasil e afirmou que não há apoio suficiente para configurar um golpe.
Mourão, que foi afastado da campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e atualmente cumpre mandato no Senado iniciado em 2022, disse não ter dúvidas de que houve “arbítrio” por parte do ministro do STF Alexandre de Moraes no episódio envolvendo a apreensão de passaportes de Flávio, conforme pedido da Polícia Federal. Sobre alegações de fraude eleitoral, afirmou que o tema “deveria ser investigado dentro do possível”, mas que o restante do conteúdo da carta tem caráter político.
O senador também declarou: “Golpe tem de ter apoio, e ele não existe”, ao ser questionado se concordava com a definição de que a carta teria tom golpista. Para Mourão, é improvável que Flávio consiga liderar a direita brasileira “de fora do país” e será preciso acompanhar os próximos movimentos do candidato derrotado.
O documento assinado por Flávio foi divulgado em versões diferentes: em uma publicação no Twitter a expressão “verdadeiro presidente” foi alterada para “líder do Brasil”; em uma versão distribuída por aliados chegou a constar a expressão “presidente eleito”. A carta contestou o resultado do pleito ocorrido no último domingo, no qual Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
Após a derrota, Flávio deixou o país na noite de terça-feira (27) em uma rota que incluiu Argentina e Equador, e desembarcou em Miami na manhã de quarta-feira (28). Poucas horas depois da chegada aos Estados Unidos, divulgou a carta com questionamentos ao resultado das eleições.
- Contexto jurídico e institucional: O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou na noite de domingo que a decisão de Cristiano Zanin — que estendeu o período de votação — “não causou problemas na contagem dos votos” e que as providências adotadas foram bem-sucedidas, sem alterações no resultado.
- Histórico político: No fim do governo Bolsonaro, Mourão chegou a ser afastado pelo núcleo próximo da família. Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por atos relacionados à tentativa de golpe; quatro generais de quatro estrelas também foram condenados pelo Supremo, além de outros oficiais e civis.
- Plano de anistia: Antes da derrota, havia relatos de que Flávio defendia anistia para presos relacionados à tentativa de golpe — proposta que entraria em conflito com decisões judiciais e processos em curso.
Mourão ressaltou que, embora reconheça episódios de arbitrariedade, o principal aspecto da carta é político e, na sua avaliação, não reúne o apoio necessário para provocar uma ruptura institucional.
Data da publicação original: 28.out.2026 às 19h08.
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