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Kassio Nunes Marques dá prazo de 10 dias para PGR se manifestar sobre revisão criminal de Jair Bolsonaro

Kassio Nunes Marques dá prazo de 10 dias para PGR se manifestar sobre revisão criminal de Jair Bolsonaro

Brasília — 28.out.2026, 16h36. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste no prazo de 10 dias sobre um pedido de revisão criminal apresentado em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Kassio é o relator de dois pedidos de revisão relativos à condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão, imposta em 2025 por participação em um plano para tentar impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. A revisão criminal é um instrumento que permite reexaminar condenações transitadas em julgado quando se alegam erros processuais ou prova nova.

Um dos pedidos já recebeu parecer da PGR, que se posicionou contrariamente à reavaliação da sentença. Esse primeiro requerimento foi protocolado antes do racha na defesa do ex-presidente, em que divergências internas levaram à retirada, no mesmo dia, de um pedido de suspensão de pena e à saída do advogado Marcelo Bessa da equipe.

Em setembro, a defesa chegou a pedir, além da revisão, a suspensão imediata da execução da pena — medida que, se concedida, permitiria a liberação provisória de Bolsonaro enquanto a revisão fosse julgada. O pedido de suspensão foi posteriormente retirado por causa das discordâncias entre os advogados. Depois da crise interna, os criminalistas que atuaram no julgamento passaram a cuidar do novo requerimento de revisão.

Em despacho desta quarta-feira, Kassio fixou 10 dias para que a PGR envie seu parecer. Embora o posicionamento do procurador-geral não seja vinculante, ele costuma ter peso nas decisões individuais e no plenário do STF.

O ministro já havia informado que o julgamento da revisão permaneceria pendente até depois do segundo turno das eleições, realizado no domingo, 25 de outubro. Em nota divulgada em 7 de outubro, o gabinete de Kassio afirmou que decidir antes do término do pleito poderia configurar interferência no processo eleitoral.

Nas semanas anteriores, houve reportagem de que Kassio avalia a possibilidade de conceder uma liminar para libertar Bolsonaro da prisão domiciliar — condição em que o ex-presidente se encontra — caso se entenda pela necessidade de suspender a execução da pena enquanto a revisão é examinada. Para ser concedida, a liminar dependeria da avaliação do relator e, possivelmente, do plenário.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) havia aparecido à frente de Lula (PT), mas o resultado foi revertido no segundo turno, com a reeleição de Lula. Flávio chegou a declarar publicamente o desejo de que o pai participasse de uma eventual cerimônia de posse ao seu lado, hipótese que dependeria da liberação de Bolsonaro.

Com a PGR agora intimada a se manifestar, o STF avançará na tramitação do pedido de revisão criminal. O pronunciamento da Procuradoria deve ser levado em conta pelo relator ao decidir sobre medidas cautelares e pela corte caso o processo seja levado ao plenário.

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via Folha de São Paulo

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