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Kassio determina que PGR se manifeste em revisão criminal que pode resultar na soltura de Bolsonaro

Kassio determina que PGR se manifeste em revisão criminal que pode resultar na soltura de Bolsonaro

Por Anna Júlia Lopes — Brasília

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente, no prazo de 10 dias, parecer sobre um pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida consta em despacho assinado nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026.

Kassio é relator de dois pedidos de revisão que visam alterar a condenação imposta a Bolsonaro, prevista em 27 anos de prisão por participação em um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Caso a revisão seja acolhida ou resulte em medida liminar favorável, a decisão pode levar à suspensão da execução da pena e à possibilidade de soltura do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar.

O primeiro pedido de revisão criminal já havia recebido manifestação da PGR, contrária à reavaliação da condenação. Esse processo foi protocolado antes de um racha na equipe de defesa do ex-presidente: em setembro, a defesa chegou a pedir a suspensão imediata da pena nessa mesma ação, mas a solicitação foi retirada no mesmo dia por discordâncias internas que resultaram na saída do advogado Marcelo Bessa, do escritório Ávila de Bessa, do caso.

Após a saída de Bessa, a defesa passou a ser conduzida apenas pelos advogados que atuaram no julgamento da ação penal, que apresentaram um novo pedido de revisão criminal.

O ministro Kassio havia afirmado anteriormente que o julgamento da revisão ficaria para depois do segundo turno das eleições, ocorrido no domingo, 25 de outubro. Em nota divulgada em 7 de outubro, o gabinete do magistrado ressaltou que uma decisão antes da conclusão do pleito poderia ser interpretada como interferência no processo eleitoral.

No primeiro turno, a disputa presidencial teve Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula; o cenário foi revertido no segundo turno. Durante a campanha, Flávio declarou que desejaria ter o pai ao seu lado na eventual posse, o que dependeria da remoção de Bolsonaro da prisão domiciliar — possibilidade que, segundo apurações anteriores, chegou a ser avaliada por Kassio por meio de uma liminar.

O despacho que determinou o prazo para manifestação da PGR abre caminho para que o Ministério Público Federal emita seu posicionamento sobre os fundamentos trazidos pela defesa nos pedidos de revisão. Caberá ao relator, depois de receber o parecer, decidir sobre os próximos passos processuais, incluindo eventual concessão de liminar ou encaminhamento do caso para julgamento no plenário do STF.

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via Folha de São Paulo

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