Home / Política / Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” em carta divulgada por aliados após chegada aos EUA

Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” em carta divulgada por aliados após chegada aos EUA

Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” em carta divulgada por aliados após chegada aos EUA

O senador Flávio Bolsonaro afirmou ser o “presidente eleito do Brasil” em uma carta divulgada por aliados após desembarcar nos Estados Unidos na quarta-feira, 28 de outubro de 2026. O comunicado, atribuído ao candidato do PL derrotado no domingo (25), foi publicado por pessoas próximas à família nos EUA, entre elas o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-policial militar André Porciuncula.

No texto, Flávio diz dirigir-se “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e anuncia a intenção de conduzir a oposição a partir do exterior. A carta inicial circulou com o brasão histórico do país (vigente entre 1889 e 1968); em seguida, aliados veicularam versão com o brasão atual.

Segundo relato do senador, ele deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, passou pelo país vizinho e embarcou em um avião privado que fez escala no Equador antes de chegar a Miami. A viagem ocorreu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes de Flávio no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. O senador nega qualquer irregularidade.

Na carta, Flávio reforça alegações de fraude nas eleições de 25 de outubro — vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva por 4,43 milhões de votos — e critica o Judiciário. As acusações de fraude não foram acompanhadas de provas; dados oficiais apontam que apenas 34 mil votos (0,03% do total) foram registrados após as 17h no dia da votação.

O senador afirma que não fugiu: “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”. Ele também agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao governo americano por receber sua família, e mencionou o presidente argentino Javier Milei pela ajuda durante o trajeto.

Na noite de terça (27), Donald Trump disse que aprovaria a entrada de Flávio nos EUA, ainda que tenha afirmado desconhecer o paradeiro do senador. Uma autoridade do Departamento de Estado confirmou que vistos seriam concedidos a Flávio e a seus familiares.

O pronunciamento marca uma mudança de postura anunciada dias antes: na véspera, o senador havia declarado que desistiria de anular a eleição e que não deixaria o país. No novo comunicado, ele diz acreditar que as medidas judiciais contra ele são parte de uma “perseguição política” e pondera que a entrega dos passaportes seria o primeiro passo para punições como tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar ou condenação, sem que haja mandado de prisão em seu nome.

Flávio traçou paralelos com figuras históricas que atuaram no exílio — entre elas Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí — e citou opositores venezuelanos como exemplos. Ele dirigiu apelos a parlamentares e governadores aliados, citando o senador Rogério Marinho (PL-RN) como seu candidato à presidência do Senado, e anunciou que fará pronunciamentos regulares para mobilizar a base e articular a oposição “por todos os meios pacíficos e legítimos”.

O senador não detalhou, porém, quais ações comporiam essa estratégia, se pretende pedir asilo político aos Estados Unidos ou quando planeja retornar ao Brasil. Ao encerrar o comunicado, afirmou: “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre.”

Leia também: União Brasil e PP anunciam apoio a Davi Alcolumbre para presidência do Senado e enfraquecem Tereza Cristina

via Folha de São Paulo

Marcado: