A Corte de Apelação de Roma retomou nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, a análise do segundo pedido de extradição apresentado pelo Brasil contra a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Os advogados da defesa solicitaram mais tempo para estudar documentos enviados pelas autoridades brasileiras; a próxima sessão foi marcada para 24 de novembro.
Esse segundo pedido refere-se à condenação por perseguição à mão armada ocorrida em 2022, pela qual Zambelli foi sentenciada pelo Supremo Tribunal Federal, em 2025, a cinco anos e três meses de prisão em regime inicial semiaberto. Na época da emissão desse pedido, ela estava presa na Itália, país para o qual havia ido após tentar escapar de outra condenação.
A reabertura do processo decorre de determinação da Corte de Cassação — a instância máxima da Justiça italiana — que, em julho, anulou decisão anterior de um tribunal de apelação que havia sido favorável à extradição e ordenou novo julgamento.
Zambelli não compareceu à audiência em Roma. Segundo sua defesa, serão apresentadas informações suplementares sobre problemas cardíacos e de pressão arterial. A ex-deputada afirmou que, durante o período em que esteve detida por cerca de dez meses, desmaiou nove vezes e sofreu duas pancadas fortes na cabeça.
Nas últimas semanas, Zambelli participou publicamente da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, inclusive visitando o local de votação de brasileiros em Milão no segundo turno, em 25 de outubro, onde foi recebida por apoiadores.
Ao anular a decisão anterior, os magistrados da Corte de Cassação aceitaram argumento da defesa de que o Brasil não detalhou de forma específica as garantias relativas ao acompanhamento e ao tratamento da saúde de Zambelli na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia — unidade onde ela cumpriria a pena caso a extradição seja autorizada.
Na audiência de 24 de novembro, a corte italiana poderá decidir se as garantias brasileiras são suficientes ou se será necessária nova perícia médica. Após essa decisão, caberá recurso das partes novamente à Corte de Cassação. Se a Justiça italiana autorizar a extradição, a decisão final dependerá do governo da Itália, por meio do Ministério da Justiça.
Logo após sua prisão na Itália, no fim de julho de 2025, Zambelli foi submetida a avaliação médica que concluiu haver compatibilidade de seu estado de saúde com a detenção naquele país. A perita listou diagnóstico de síndrome de Ehlers-Danlos, problemas intestinais e cardiológicos, fibromialgia e histórico de remoção de meningioma cerebral, e apontou que essas condições não impediam sua prisão.
O novo julgamento terá foco exclusivo nas condições de saúde da ex-deputada e nas garantias apresentadas pelo Brasil. A Corte de Cassação já rejeitou outras teses de defesa, entre elas a de que Zambelli teria sido alvo de perseguição política do STF no caso relacionado à perseguição armada.
Zambelli responde a dois pedidos de extradição. O primeiro foi encerrado em maio — com rejeição da extradição e autorização para sua soltura após cerca de dez meses de detenção — e dizia respeito à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à emissão de mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. Naquele processo, ela foi condenada a dez anos de prisão. A Corte de Cassação considerou que, no julgamento brasileiro desse caso, houve problemas de imparcialidade, em especial pelo duplo papel de Moraes como suposta vítima e como membro do colegiado julgador, o que foi entendido como uma violação grave do direito de defesa.
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