A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação sobre uma encenação em que um homem negro, acorrentado, carregou um homem branco durante manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Barra da Tijuca, realizada em 24 de outubro, véspera do segundo turno das eleições.
As imagens do episódio viralizaram nas redes sociais e passaram a ser apuradas pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância). A ação ocorreu em evento ligado aos chamados “Blocos do 22”, convocados por aliados do candidato, entre eles o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Segundo as imagens e depoimentos divulgados, a representação tinha como objetivo personificar o ex-presidente Lula como uma figura satânica: o homem negro usava máscara e portava um tridente, além de uma camiseta listrada preta e vermelha com inscrições coladas — entre elas “satanás”, “capiroto” e “Lula” — e o número 13 riscado em vermelho.
A polícia identificou o homem branco que participa da encenação como o empresário Carlos Eduardo Martins. Equipes tentaram contatá‑lo por telefones ligados às empresas às quais ele tem relação, sem sucesso.
Depois da repercussão, Martins e o outro participante gravaram um vídeo em que negam intenção racista e afirmam que se tratou de uma sátira política. Em declaração pública, Martins disse que a encenação visava criticar o atual presidente e pediu desculpas a quem tenha se sentido ofendido. O segundo homem, identificado no vídeo como Sérgio, afirmou que os dois são amigos há mais de dez anos; a polícia não informou se eles foram ouvidos formalmente.
O Ministério da Igualdade Racial divulgou nota de repúdio no domingo, 25 de outubro, e encaminhou ofício ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio solicitando providências. O ministério ressaltou que cenas desse tipo, sobretudo em período eleitoral, evocam marcas históricas do período escravagista e agravam feridas sociais.
Além desse caso, a Polícia Civil do Rio identificou outra ocorrência registrada no domingo (25): uma mulher filmada fazendo uma saudação nazista no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, zona sul da capital, no dia da votação. A cena foi gravada por um eleitor que se identificou como judeu.
De acordo com o registro policial, a mulher, identificada como Erica Marques Pinho, 46 anos, fez o gesto em duas ocasiões. Testemunhas relataram que, ao ser questionada por um observador sobre o gesto, ela confirmou e perguntou se ele era comunista; ele respondeu que era judeu, e a mulher teria dito: “Pior ainda”. As tentativas de contato feitas pela reportagem não obtiveram resposta.
As investigações sobre ambos os episódios seguem em andamento.
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