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Flávio Bolsonaro agradece Milei e Trump por apoio à fuga e se declara líder a partir dos EUA

Flávio Bolsonaro agradece Milei e Trump por apoio à fuga e se declara líder a partir dos EUA

Após deixar o Brasil e desembarcar nos Estados Unidos na manhã de 28 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta em que agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, pelo apoio recebido para deixar o país. Na mensagem, o parlamentar diz que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos.

A primeira versão do comunicado chegou a afirmar que Flávio era o “verdadeiro presidente eleito do país”; cerca de meia hora depois essa expressão foi alterada para “líder do Brasil”. O documento também trazia, na arte, um brasão com a grafia “Brazil” (com Z) e a denominação “Estados Unidos do Brazil”, termo em desuso desde março de 1967.

No texto, o senador voltou a alegar, sem apresentar provas, que a eleição presidencial foi fraudada. Ele criticou decisão atribuída ao ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h — medida que, segundo o documento, teria sido tomada “por cima da competência do TSE”. O próprio Zanin, conforme informado, teria acatado pedido conjunto das campanhas do PL e do PT.

Os números oficiais do pleito apontam que Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu pouco mais de 59 milhões. A prorrogação de duas horas no horário de votação contabilizou 34.393 votos. O Tribunal Superior Eleitoral registrou 158,7 milhões de eleitores aptos a votar. O Partido Liberal (PL) também reconheceu a vitória de Lula, e o resultado teve reconhecimentos da Organização dos Estados Americanos e de líderes estrangeiros.

O senador criticou ainda a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a apreensão de seus passaportes — pessoal e diplomático — e proibiu sua saída do país. A ordem judicial foi expedida a pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga em meio a investigações contra Flávio por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Flávio é alvo de dois inquéritos que tramitam no Supremo. Em um deles, é investigado, ao lado do advogado Willer Tomaz, por suposta lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas; no outro, há apuração sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sobre sua saída do país, a família de Flávio cruzou a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27/10/2026) pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, rumo a Puerto Iguazú. Às 23h30 embarcaram em um avião privado para Guayaquil, no Equador, e seguiram depois para os Estados Unidos. O senador chegou a Miami acompanhado da mulher e das duas filhas na manhã de quarta-feira (28/10/2026).

O irmão mais novo, Eduardo Bolsonaro, está nos Estados Unidos desde março de 2025. Eduardo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por articulação relacionada a medidas tarifárias aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil em julho de 2025, episódio que, segundo a decisão, visava obstruir julgamentos contra o ex-presidente. Jair Bolsonaro foi condenado, meses depois, a 27 anos e três meses de prisão por crime relacionado a tentativa de golpe de Estado.

Repercussões nos Estados Unidos também surgiram. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, ligado aos democratas, criticou a concessão de visto a Flávio pelo governo americano, comparando o tratamento dado ao senador e à sua família com a política migratória aplicada a pessoas que fogem de conflitos, e mencionando o secretário de Estado Marco Rubio em post publicado na rede social X.

No Brasil, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) emitiu um alerta sobre a circulação da carta, ressaltando que reproduzir declarações sem contextualização pode favorecer a desinformação. A entidade lembrou ainda que negociações com governos estrangeiros para provocar desestabilização nacional ou facilitar saída do território podem, conforme as circunstâncias, configurar crime.

Na carta, Flávio afirma que continuará a exercer atividade política desde os Estados Unidos, dizendo que assumirá riscos que parlamentares eleitos pelo PL “não podem correr”. A publicação coincide com investigações abertas e medidas judiciais que restringiam sua saída do país antes da fuga.

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via Agência Brasil

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