Brasília — 28/10/2026. O governo federal informou nesta quarta-feira que intensificará as investigações sobre episódios de violência política ocorridos no fim de semana, após a definição do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo o anúncio, foram contabilizados 45 episódios entre a noite de sábado (24) e o domingo (25), incluindo 10 homicídios.
A apresentação dos dados foi feita pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e por integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em coletiva nesta quarta. O governo relaciona a maior parte das ocorrências à intolerância motivada por posições eleitorais, após a proclamação do resultado que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Guilherme Boulos afirmou que não haverá impunidade e destacou que disputas eleitorais não podem servir de justificativa para a prática de crimes, agressões ou homicídios.
O mapeamento federal aponta 47 vítimas diretas entre os 45 episódios. A distribuição por tipo de ocorrência, segundo o governo, é a seguinte:
- 10 vítimas fatais (entre elas três indígenas);
- 7 casos de atropelamento intencional;
- 14 agressões físicas, incluindo espancamentos e esfaqueamentos;
- 5 registros de disparos e atentados com arma de fogo;
- 5 incidentes envolvendo violência e coação contra povos indígenas;
- 6 denúncias de abuso de autoridade e violência policial.
O MJSP informou que os casos serão investigados por diversos ramos da Polícia Federal: inquéritos já começaram a ser instaurados para apurar crimes eleitorais, violência política de gênero e violações de direitos humanos. Também estão previstos encaminhamentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) e acionamento das corregedorias das polícias militares e civis estaduais e dos Ministérios Públicos locais quando houver envolvimento de agentes públicos.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ademar Borges, ressaltou que as ocorrências englobam diferentes naturezas criminais — desde crimes eleitorais e racismo até homicídios e lesões corporais — e que todas as denúncias estão sendo averiguadas.
Além das apurações presenciais, a pasta anunciou medidas para enfrentar a violência no ambiente digital com base no Marco Civil da Internet, e lembrou o dever de plataformas retirarem, de forma proativa, conteúdos que envolvam crimes graves, como discursos de ódio, violência contra a mulher e violações ao Estado Democrático de Direito. O governo alertou para a possibilidade de responsabilização civil das empresas em caso de falhas sistêmicas na moderação.
Casos com maior repercussão
Entre os episódios citados pelas autoridades está o ataque à vereadora Iara Pimentel (PT), em Montes Claros (MG), na noite de sábado (24). Segundo relatos, a parlamentar foi atingida no rosto por um objeto arremessado durante um ato e ficou inconsciente; o carro de som em que participava teria sido alvo de garrafas, tijolos e outros projéteis. Ela recebeu atendimento do Samu e deixou o local em ambulância.
No Paraná, Eliseu Pedrozo dos Santos, 38 anos, morreu na segunda-feira (26) após ser atropelado na noite de domingo durante comemorações pela vitória do presidente reeleito. Reportagens locais apontam que um motorista embriagado avançou sobre um bloqueio policial e atingiu quatro homens; a vítima sofreu traumatismo craniano grave. O condutor foi preso e o bafômetro indicou 0,67 mg de álcool por litro de ar expelido.
Também no Paraná, a pesquisadora identificada como Renata Kempf foi detida na noite de domingo durante uma comemoração pró-Lula em frente a um bar universitário. Participantes denunciaram uso excessivo da força por parte da polícia.
Em Santos (SP), o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, 30 anos, morreu após ter sido espancado na madrugada de sábado. Ele retornava de um ato político e usava adesivo de apoio ao presidente reeleito. A Polícia Civil trata o caso como latrocínio (roubo seguido de morte); a motivação política ainda não foi comprovada.
No Mato Grosso do Sul, lideranças indígenas e a deputada Célia Xabriabá (PSOL-MG) relataram um suposto envenenamento de água no território dos Guarani Kaiowá após as eleições. Segundo a denúncia, em um áudio circulando no WhatsApp um dos envolvidos teria declarado ser preciso “matar essas praga pela água” — trecho citado pelas organizações que registraram a queixa. Essas informações estão sendo investigadas.
Os estados com maior número de ocorrências apontados pelo governo são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. As autoridades afirmaram que dezenas de inquéritos já foram abertos e que todas as denúncias passarão por apuração.
O anúncio do reforço nas investigações ocorre em meio a apelos por respostas rápidas das instituições de segurança e pela responsabilização dos autores, incluindo, quando cabível, agentes do Estado.
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via Agência Brasil










