Por Tamara Nassif — São Paulo. Publicado em 27.out.2026 às 23h00
Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, movimentos e lideranças de esquerda em diferentes países passaram a copiar táticas utilizadas na campanha brasileira, entre elas o gesto com o polegar e o indicador formando um “L” e a mobilização por meio de grupos em aplicativos de mensagens.
Em Madrid, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu ao público, horas antes do resultado do segundo turno ocorrido no domingo (25), que levantasse o braço com o “L” em defesa de “esperança, da Palestina livre e de Lula no Brasil”, além de convocar a participação na Frente Ampla marcada para 29 de novembro. O gesto — já associado aos apoiadores do presidente reeleito para um quarto mandato — apareceu em comícios e publicações nas redes sociais.
O primeiro‑ministro espanhol Pedro Sánchez saudou a reeleição do petista e disse que pretende usar o exemplo brasileiro para tentar conter o avanço de forças de direita nas eleições gerais do país no mês seguinte. Sánchez também convidou o deputado André Janones (Rede-MG) a colaborar na estratégia eleitoral; a assessoria do parlamentar ainda não confirmou eventual aceitação do convite.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum parabenizou Lula e reproduziu o símbolo do “L” ao comemorar o resultado, além de convidar Janones para uma visita de trabalho com o objetivo de articular ações da esquerda.
Ativistas e dirigentes que acompanham as campanhas observaram sobretudo a organização digital como elemento exportável. O grupo de WhatsApp conhecido como “Exército do Lula” chegou a reunir mais de 10 milhões de participantes às vésperas do segundo turno, e iniciativas semelhantes começaram a surgir em outros países.
Na França, canais de apoio a Jean‑Luc Mélenchon já adotaram o símbolo e táticas inspiradas no Brasil: o canal “L’équipe de Mélenchon officielle” supera 46 mil integrantes e apoiadores gravaram vídeos que transformam o “L” em um “M” invertendo as mãos. O deputado Antoine Leaument chamou a atenção dos companheiros para a experiência brasileira e afirmou, em vídeo divulgado nas redes, que a prática será aplicada na França.
Segundo números da Reuters citados em análises locais, Marine Le Pen liderava intenções de voto com cerca de 35% e Mélenchon marcava 16% para a eleição presidencial de abril de 2027, cenário que alimenta o debate sobre estratégias de mobilização no país.
Na Argentina, surgiu o chamado “Exército do Peronismo”, inspirado no modelo brasileiro e já com mais de 40 mil inscritos. Nos Estados Unidos, ativistas pró‑democracia também têm repercutido as lições da campanha de Lula; a influenciadora política Jess Craven publicou um vídeo intitulado “O que podemos aprender com o Brasil?”, repostado por Janones, que acumula quase 500 mil visualizações no Instagram.
Especialistas e militantes afirmam que a combinação de símbolos simples — como o “L” — e estruturas digitais amplas ajudou a consolidar narrativas e engajar eleitores de forma rápida. Desde a reeleição, a tática de Janones passou a ser vista por aliados como um roteiro adaptável para enfrentar o crescimento de partidos de direita e ultradireita na América Latina, Europa e nos Estados Unidos.
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