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Em 42 horas: a cronologia da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e a chegada a Miami (28.out.2026)

Em 42 horas: a cronologia da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e a chegada a Miami (28.out.2026)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou em Miami na manhã de 28.out.2026, às 10h23, em viagem que incluiu escala em Guayaquil (Equador). A viagem ocorreu pouco menos de 42 horas depois de ele afirmar publicamente que “nunca pensei em sair do país” e que entregaria seus passaportes. Nas horas anteriores, circularam relatos contraditórios sobre sua saída do Brasil e sua passagem por países vizinhos.

25.out.26 — A apuração e o discurso

Por volta das 17h30 de domingo (25), Flávio estava em Brasília, na casa do coordenador de campanha Vicente Santini, acompanhando a apuração ao lado da esposa Fernanda, de aliados e de integrantes da campanha. Entre as presenças registradas estavam o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes, o governador Tarcísio de Freitas, o deputado Nikolas Ferreira e o influenciador Pablo Marçal.

Às 20h50, quando o instituto Datafolha projetou a vitória do presidente Lula (PT), houve uma oração no local; apoiadores saíram gradualmente do evento. Por volta das 22h40, Flávio fez um breve discurso no qual não reconheceu o resultado e anunciou a intenção de pedir a anulação do pleito. Parte da contestação dizia respeito à prorrogação do horário de votação até as 19h, decisão do ministro Cristiano Zanin que havia atendido pedido de ampliação por falhas no transporte público.

Dados do TSE mostraram que apenas 34.330 votos — 0,03% do total — foram registrados após as 17h, número que, segundo analistas, não mudaria o resultado.

26.out.26 — Intimações, reunião com a campanha e a declaração pública

Na manhã de segunda (26), Flávio visitou o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na saída do condomínio, o senador foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, segundo ele próprio declarou posteriormente.

No almoço, a cúpula jurídica da campanha recomendou que Flávio desistisse de pedir a anulação total da eleição e optasse por uma ação eleitoral específica — por abuso de poder — contra a campanha adversária. Advogados como Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, além de aliados e membros da coordenação, participaram da reunião no escritório do advogado Otto Medeiros.

Por volta das 16h40, em vídeo publicado no Instagram, o senador afirmou: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, referindo‑se à intimação e a declarações do irmão Eduardo Bolsonaro de dias antes.

Às 17h20, o advogado Frederick Wassef compareceu ao condomínio para reunião com Flávio; saiu por volta das 18h e disse tratar de assuntos jurídicos com o cliente. Por volta das 20h, um comboio de quatro carros deixou o local — a mulher de Flávio aparecia em um dos veículos cobrindo o rosto.

27.out.26 — Informações desencontradas e movimentação na fronteira

Na madrugada, reportagem internacional sustentou que Flávio teria cruzado a fronteira para a Argentina e partiria de Porto Iguaçu em direção aos Estados Unidos em voo privado. A Polícia Federal, porém, afirmou não ter encontrado registros de saída formal pelo posto de fronteira brasileiro.

Pela manhã, um coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho, negou que o parlamentar tivesse deixado o país. Às 11h, venceu o prazo dado para entrega dos passaportes — que Flávio não cumpriu, segundo registros — e autoridades argentinas e membros do governo local negaram inicialmente que ele estivesse no país.

Mais tarde, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio e sua família ingressaram no país às 22h50 de terça (27) pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. Segundo as autoridades argentinas, o senador teria utilizado um passaporte italiano e não teria passado pelo posto de controle do Brasil.

28.out.26 — Decolagem, declarações internacionais e chegada a Miami

Pouco depois da meia‑noite, a aeronave privada da companhia Baires Fly S.A. decolou da pista argentina com destino a Guayaquil. Dados públicos de monitoramento de voos (site FlightAware) apontam decolagem às 0h22. O piloto e observadores de tráfego aéreo, como Mauro Mattosinho, acompanharam a movimentação da aeronave nas primeiras horas do dia.

Às 1h23, o ex‑presidente dos EUA Donald Trump declarou que havia ouvido relatos sobre uma possível passagem de Flávio pela Argentina, mas afirmou não saber o paradeiro atual do senador e que aprovaria a concessão de visto.

Ao fim da escala em Guayaquil, Flávio, a esposa e as filhas chegaram ao Aeroporto Executivo de Miami‑Opa Locka. O desembarque foi registrado às 10h23 (horário local) e ocorre em meio a especulações sobre pedido de asilo e negociações consulares que integrantes do entorno chegaram a afirmar estarem em andamento.

Contexto e implicações

  • Flávio Bolsonaro foi candidato e foi derrotado pelo presidente Lula (PT) na eleição presidencial de 2026.
  • O ex‑presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi condenado e cumpre prisão domiciliar por envolvimento em tentativa de golpe de Estado em 2022; a situação da família aumenta a atenção sobre qualquer movimentação internacional dos seus integrantes.
  • Autoridades de migração e de segurança dos países envolvidos divulgaram versões distintas ao longo do processo, o que gerou incerteza e controvérsia sobre a exatidão dos registros de fronteira e das rotas aéreas utilizadas.

O episódio segue sendo acompanhado por autoridades brasileiras e internacionais e poderá ter desdobramentos jurídicos caso se confirme saída do país em desacordo com medidas determinadas por órgãos de investigação ou instruções judiciais.

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via Folha de São Paulo

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