São Paulo — Reportagens argentinas indicam que Santiago Caputo, assessor do presidente Javier Milei, esteve em Puerto Iguazú na noite de terça-feira (27) e acompanhou desde o início a operação que resultou na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos em voo privado.
O senador, alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), desrespeitou a ordem do ministro Alexandre de Moraes de entregar seus passaportes e embarcou à noite em uma aeronave operada pela empresa Baires Fly S.A. A companhia já foi citada em apurações que investigam suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a contratos públicos no governo argentino de Milei.
De acordo com as apurações, empresas ligadas à embaixada dos Estados Unidos teriam contratado inicialmente o voo; fontes argentinas também apontam que Caputo monitorou a logística da operação desde o começo. Ainda conforme essas reportagens, o assessor publicou horas antes, na rede X, uma imagem do filme O Grande Truque (The Prestige), de Christopher Nolan — postagem feita minutos antes da primeira declaração oficial argentina sobre o caso. Em seguida, Caputo criticou a cobertura jornalística, chamando-a de vexatória.
Jornalistas que cobriam o desaparecimento do senador na manhã de terça chegaram a noticiar que Flávio teria tentado embarcar na madrugada por Puerto Iguazú, mas enfrentado problemas nos trâmites. As autoridades argentinas informaram que a família do senador embarcou por volta das 23h30; a decolagem efetiva dele ocorreu na mesma noite, conforme confirmações posteriores.
Fontes citadas pela imprensa argentina relatam ainda que integrantes do governo local apontaram Caputo como participante de uma rede de inteligência que teria facilitado a fuga. Essas mesmas reportagens afirmam que o assessor mantém comunicação direta com pessoas influentes no entorno do governo americano de Donald Trump.
No domingo (25), após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro chegou a defender medidas para anular o pleito. No dia seguinte afirmou que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar passaportes, declarou que cumpriria a determinação e negou ter intenção de deixar o país.
O senador também é investigado no STF por suspeita de envolvimento, com o advogado Willer Tomaz, em esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. Willer Tomaz responde ainda a apurações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
- Data dos fatos: noite de terça-feira, 27 de outubro de 2026; reportagem publicada em 28.out.2026.
- Aeronave: jato privado operado pela Baires Fly S.A.
- Autoridade envolvida: ministro Alexandre de Moraes (ordem de entrega de passaportes).
- Investigações relacionadas: inquérito no STF sobre Flávio Bolsonaro; apurações que citam Baires Fly em suspeitas de lavagem de dinheiro no governo argentino; investigações envolvendo o advogado Willer Tomaz.
As informações reproduzem apurações publicadas por veículos argentinos; não houve confirmação oficial de todos os detalhes por parte das autoridades brasileiras até a última atualização desta reportagem.
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