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Avião ligado a Flávio Bolsonaro sai do Equador e segue para Miami após entrada na Argentina

Avião ligado a Flávio Bolsonaro sai do Equador e segue para Miami após entrada na Argentina

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sua esposa Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e as filhas Carolina e Luiza Figueira Bolsonaro entraram na Argentina na noite de 27 de outubro, por volta das 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, informou a Direção Nacional de Migrações da Argentina.

Segundo o órgão de migração, o grupo apresentou documentação válida e não havia impedimento legal para o ingresso no país; as entradas foram registradas sem incidentes.

Na sequência, pouco depois das 23h30, a comitiva embarcou em um voo privado operado pela Baires Fly S.A., conforme o plano de voo, segundo registros consultados por especialistas em rastreamento de aeronaves.

O jato identificado como Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, que figura em listas de passageiros relacionadas ao caso, permaneceu na pista até aproximadamente 0h20 do dia 28, quando decolou rumo ao norte. O monitor de tráfego aéreo Mauro Mattosinho afirmou que o plano previa uma escala em Guayaquil (Equador) para reabastecimento.

Apesar da autonomia da aeronave para alcançar os Estados Unidos em trajeto direto, o voo adotou rota que evitou o espaço aéreo brasileiro, o que aumenta o consumo de combustível e motivou a escala no Equador.

Plataformas de rastreamento indicaram que a aeronave pousou no Equador pouco antes das 6h e, em seguida, decolou com destino a Miami (EUA). Por volta das 8h30 já havia sobrevoado o Panamá em direção à Flórida; o plano inicial previa pouso no Aeroporto Executivo de Miami–Opa Locka.

O movimento chamou atenção de usuários — o voo chegou a figurar entre os mais acompanhados em tempo real em sites de rastreamento, com quase 4.000 pessoas monitorando-o por volta das 5h30.

A empresa Baires Fly não se manifestou imediatamente sobre o fretamento. Mattosinho, que acompanha a movimentação de aeronaves na Argentina desde a madrugada de terça-feira, também relatou que o nome de Flávio constava na lista de passageiros já na véspera.

Enquanto isso, aliados informaram que o senador dará entrevista coletiva em Miami na quinta-feira (29). Paulo Figueiredo, simpatizante da família, declarou que Flávio está “bem, em segurança e descansando com a família”, e criticou notícias contraditórias que circularam nas últimas horas.

Na véspera, veículos argentinos haviam registrado a presença do senador em Puerto Iguazú (Misiones) até o início da madrugada desta quarta-feira, e relatos locais mencionaram a chegada de uma van branca ao aeroporto na noite de terça, sem identificação dos ocupantes.

O episódio ocorre dias após a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pleito realizado no domingo, 25 de outubro. Nos dias seguintes, o senador chegou a anunciar intenção de pedir a anulação das eleições, mas em vídeo gravado em 26 de outubro recuou do questionamento e disse que permaneceria no país para liderar a oposição, após reclamar — na ocasião — de ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar passaportes.

Repercussões políticas já foram registradas na Argentina: a deputada Marcela Pagano apresentou denúncia ao Ministério Público Federal de Puerto Iguazú para que se investigue a entrada do senador no país e a eventual operação para encaminhá‑lo aos Estados Unidos, afirmando que, se a entrada ocorreu, alguém permitiu sua passagem pela fronteira.

No plano internacional, o ex-presidente norte-americano Donald Trump declarou que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, mas afirmou não saber seu paradeiro. Além disso, uma autoridade do Departamento de Estado informou que vistos seriam concedidos a Flávio e aos familiares, permitindo entrada e permanência nos EUA.

O coordenador de campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), disse desconhecer o paradeiro de Flávio. Aliados também cogitaram que ele buscaria asilo nos Estados Unidos.

As autoridades argentinas e as pessoas envolvidas no transporte internacional do grupo podem ser alvo de apurações sobre procedimentos de fronteira e de operação do voo, conforme a investigação solicitada por políticos locais.

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via Folha de São Paulo

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