São Paulo — Parlamentares do PSOL afirmam que a deputada federal reeleita Erika Hilton deverá deixar a legenda e se filiar ao PT a partir de janeiro. Segundo essas fontes, a relação entre a congressista e a direção do partido se agravou nos últimos meses.
Integrantes do PSOL citam como fatores da ruptura a insatisfação de Hilton com a distribuição do fundo partidário e a decisão da sigla de não entrar em federação com o PT — opção defendida por parte do grupo ao qual a deputada pertence.
Colegas de partido relataram a existência de um acordo para que a saída ocorra antes da posse da próxima legislatura, prevista para fevereiro. A direção do PSOL, por sua vez, teme que a eventual saída de Erika Hilton provoque migrações de outros quadros do partido, entre os quais a deputada federal eleita Natalia Boulos, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara.
Os nomes citados integram a corrente Revolução Solidária, que defendia a formação de federação com o PT (hoje aliado em união federativa com PV e PCdoB) como estratégia para conter o avanço do bolsonarismo. Outra corrente interna, a Primavera Socialista, criticou a ideia argumentando que a federação reduziria a capacidade do PSOL de lançar um número maior de candidaturas, já que as vagas ao Legislativo seriam compartilhadas entre as legendas da união.
Erika Hilton já havia manifestado publicamente desaprovação à gestão partidária. Em entrevistas recentes, ela apontou que o PSOL cometeu um erro estratégico ao recusar a federação com o PT e afirmou ter conversado com outras legendas, inclusive com o próprio PT, sobre seu futuro político.
A presidente do PSOL, Paula Coradi, declarou que a direção está aberta ao diálogo e ressaltou a importância da reeleição de Erika Hilton, além do papel da parlamentar nas mobilizações contra a chamada escala 6×1 — regime de trabalho no qual se trabalha seis dias seguidos e se descansa um, alvo de críticas em diferentes setores.
Nas eleições deste ano, Erika Hilton foi a mulher mais votada para a Câmara e ficou em terceiro lugar no ranking geral, com cerca de 1,5 milhão de votos. A deputada atribui o resultado ao seu trabalho nas redes digitais e ao foco em pautas consideradas próximas aos setores trabalhistas, como a redução da jornada de trabalho, aprovada no Legislativo.
A coluna procurou a deputada por mensagens em diversas ocasiões até a quarta-feira, 21 de outubro, mas não obteve resposta.
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