Por Catarina Scortecci
Curitiba — 27.out.2026 às 19h57
O senador Sergio Moro (PL), que foi eleito governador do Paraná no primeiro turno, afirmou nesta terça-feira (27) em redes sociais que o país não vive uma situação de normalidade institucional e que, diante desse contexto, é compreensível a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil.
Moro questionou a ordem de apreensão de passaporte aplicada a um candidato da oposição que obteve cerca de 59 milhões de votos, ressaltando que a medida tomada no dia seguinte à eleição sinaliza, em sua avaliação, um quadro atípico nas instituições. Ele escreveu o comentário após notícia sobre a saída de Flávio do país.
Aliados informaram que Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos acompanhado da mulher e das duas filhas. A saída teria sido decidida na segunda-feira (26), depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou o recolhimento dos passaportes brasileiro e italiano do senador, atendendo a um pedido da Polícia Federal que apontou “risco concreto de evasão do território nacional”.
Na petição enviada ao ministro, a PF citou como fundamento um “precedente concreto”: a saída do advogado Willer Tomaz do país em 25 de agosto. Tomaz, considerado amigo de Flávio, e o próprio senador são alvos de investigações que tratam de suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo a manifestação da PF, Willer está fora do país desde 25.ago.2026 — ao que tudo indica em Miami — sem registro de retorno, apesar de ordem judicial anterior que vedava sua saída e cancelava seus passaportes.
Moro participou ativamente da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Após a derrota do aliado no domingo (25), ele afirmou que uma maioria expressiva de eleitores do Paraná votou contra Luiz Inácio Lula da Silva, mas reconheceu que o resultado presidencial não foi o esperado pela base.
Nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo com 64.256.232 votos, contra 59.826.041 votos do candidato do PL.
As ações da Polícia Federal e a decisão do ministro Alexandre de Moraes integram um conjunto de medidas e investigações em curso no Supremo envolvendo políticos e auxiliares ligados ao PL. A apreensão de passaportes e as determinações de restrição de deslocamento têm sido usadas como ferramentas processuais quando autoridades apontam risco de fuga ou obstrução de investigações.
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