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Rafael Fonteles: de prodígio em olimpíadas a gestor pragmático cotado para o Ministério da Fazenda

Rafael Fonteles: de prodígio em olimpíadas a gestor pragmático cotado para o Ministério da Fazenda

Salvador — 27.out.2026 às 23h00.

Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí com 70,90% dos votos, reúne trajetórias pouco comuns para um quadro político de 41 anos: ex‑prodígio de olimpíadas internacionais de física, química e matemática, empreendedor no setor educacional e gestor público com atuação marcada pelo pragmatismo.

Ainda jovem, Fonteles foi o primeiro colocado no vestibular da Universidade Federal do Piauí, onde cursou matemática. Aos 19 anos alugou um andar de prédio comercial para abrir um cursinho preparatório que deu origem à rede de educação da qual é hoje proprietário. Posteriormente fez mestrado em Economia Matemática no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro.

Na sua trajetória profissional também há passagem por mídia local: ganhou visibilidade ao apresentar um programa de orientação financeira na TV Clube, afiliada da Rede Globo. A transição para a gestão pública ocorreu em 2015, quando, aos 29 anos, foi nomeado secretário estadual da Fazenda no governo de Wellington Dias, em um período de forte aperto fiscal.

Em 2021, passou a coordenar um amplo pacote de obras no estado, uma espécie de programa de infraestrutura local, e percorreu municípios como parte da construção de sua base política. Essas viagens, segundo relatos familiares, teriam sido decisivas para consolidar sua imagem entre eleitores.

Fonteles combina posições consideradas heterodoxas para a esquerda: admira economistas como Jean Tirole e Mariana Mazzucato, valoriza políticas de inovação pública e já declarou ter se inspirado em experiências chinesas de redução da pobreza ao lançar o chamado Pacto pela Economia, voltado ao desenvolvimento municipal.

No governo estadual, adotou medidas criticadas por parte da esquerda, como concessões de rodovias, e em 2024 captou cerca de R$ 1 bilhão em leilão que concedeu serviços de água e saneamento à Águas do Piauí, do grupo Aegea. Ao mesmo tempo, é creditado por avanços em educação — com ampliação do ensino integral e elevação do Piauí ao segundo lugar no Ideb — e por queda em indicadores de violência com uso de tecnologia, incluindo o programa Celular Seguro, que foi posteriormente nacionalizado.

Politicamente, construiu uma base ampla no estado e montou um núcleo de secretários próximos, apelidado informalmente de “Rafaboys”, que por vezes conflita com alas mais tradicionais ligadas ao ex‑governador Wellington Dias. No início do ano houve atritos sobre a sucessão estadual; Fonteles acabou cedendo vagas ao Senado a aliados e escolheu como vice Washington Bandeira (PT). A estratégia ajudou a reeleger Marcelo Castro e eleger Júlio César para o Senado, derrotando o ex‑ministro Ciro Nogueira.

Durante a festa de vitória local, o governador protagonizou episódio em que xingou Ciro Nogueira em cima de um trio elétrico; no dia seguinte ele apresentou desculpas públicas pelo ocorrido.

Na campanha presidencial, Fonteles integrou o núcleo duro do segundo turno ao lado dos ex‑governadores Camilo Santana (CE) e Rui Costa (BA) e do deputado André Janones. Três semanas depois de sua reeleição estadual, reuniu‑se com um grupo de matemáticos do Impa e, com base em projeções, antecipou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva com menos de 2% das urnas apuradas.

Com a vitória presidencial, Fonteles passou a ser cotado para chefiar o Ministério da Fazenda. Caso venha a ser nomeado, precisará renunciar ao cargo de governador para assumir o ministério. Seu pai, Nazareno Fonteles — médico, matemático, um dos fundadores do PT e ex‑deputado — disse não ter conversado sobre uma possível mudança, mas destacou o perfil pragmático do filho. O senador Marcelo Castro (MDB‑PI) afirmou que Fonteles está preparado para assumir responsabilidades se for convocado, descrevendo‑o como alguém que toma decisões com tranquilidade.

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via Folha de São Paulo

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