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Rajiv Jain vê erro em vender ações brasileiras após reeleição de Lula e pode comprar na queda

Rajiv Jain vê erro em vender ações brasileiras após reeleição de Lula e pode comprar na queda

Autoria: Vinícius Andrade e Ye Xie •

Rajiv Jain, cofundador e presidente da gestora GQG Partners — maior acionista privado da Petrobras — afirmou que desfazer posições no Brasil após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva seria um equívoco, e não descartou ampliar compras se a pressão vendedora aumentar. Jain administra cerca de US$ 150 bilhões (R$ 811,3 bilhões) e destaca que empresas brasileiras apresentam avaliações atrativas, lucros consistentes e dividend yields elevados.

Os mercados locais sofreram forte queda na segunda-feira, 26 de outubro, quando a vitória inesperada de Lula desencadeou vendas: o Ibovespa chegou a recuar 17% — movimento que acionou o primeiro circuit breaker desde 2020 — e o real teve sua maior desvalorização em mais de duas décadas.

Para Jain, a reação dos investidores foi exagerada. Ele lembra que, em 2022, a GQG aumentou a exposição à Petrobras quando muitos rivais se desfizeram das ações por temores de maior intervenção do governo em políticas como preços de combustíveis e pagamento de dividendos. Desde então, a petrolífera teve valorização superior a 285% em dólares, incluindo proventos.

O executivo reconhece que a gestora atravessa momento delicado: sofreu resgates significativos após uma postura previamente cética sobre a inteligência artificial, que contribuiu para desempenho abaixo do índice de referência. O fundo de mercados emergentes da GQG acumula retorno inferior a 2% neste ano, contra alta de 14% do benchmark.

Jain disse também que o Brasil segue como o maior peso do portfólio em mercados emergentes da GQG, apesar de reduções recentes para liberar recursos destinados a ações de semicondutores em Taiwan e Coreia do Sul. No fim de setembro, ações brasileiras representavam 14% do GQG Partners Emerging Markets Equity Fund, de US$ 18 bilhões (R$ 97 bilhões), ante 24% em março, mas ainda quase dez pontos percentuais acima do peso no índice de referência.

Entre os motivos que o levam a manter ou aumentar posições no país estão valuations considerados baratos, dividendos atraentes e setores com fundamentos sólidos, como bancos e utilities, além da própria Petrobras. Jain ressalta que preocupações políticas nem sempre se traduzem em prejuízo para o investidor e que os freios e contrapesos institucionais funcionam de forma a limitar impactos extremos.

O gestor também destacou a importância das finanças públicas: reduzir o déficit orçamentário é essencial para diminuir os custos de financiamento — hoje em patamares de dois dígitos — e recuperar dinamismo econômico. Apesar das incertezas em relação às prioridades do novo governo, Jain acredita haver espaço para medidas favoráveis ao mercado.

Na manhã de terça-feira, 27 de outubro, os mercados mostravam sinais de estabilização: o principal índice acionário caía cerca de 0,7% e o real se apreciava aproximadamente 1,1% em relação ao dia anterior.

  • Gestor: Rajiv Jain, cofundador da GQG Partners
  • Ativos sob gestão mencionados: cerca de US$ 150 bilhões (R$ 811,3 bilhões)
  • Fundo Emerging Markets da GQG: US$ 18 bilhões (R$ 97 bilhões); exposição a ações brasileiras de 14% em setembro (24% em março)
  • Queda do Ibovespa em 26.out.2026: até 17% (circuit breaker acionado)
  • Retorno da Petrobras desde 2022: acima de 285% em dólares, incluindo dividendos

Em síntese, Jain vê a turbulência pós-eleição como uma oportunidade de compra para investidores com horizonte de longo prazo e mantém a visão de que vender ações brasileiras neste momento seria um erro.

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via Folha de São Paulo

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