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Plin (Santa Cecília): cozinha italiana contemporânea agrada, mas alguns pratos pedem ajustes

Plin (Santa Cecília): cozinha italiana contemporânea agrada, mas alguns pratos pedem ajustes

Crítica | SP
Priscila Pastre — 28.out.2026

Plin
R. Martim Francisco, 655, Santa Cecília — Instagram: @plinrestaurante
Avaliação: três estrelas (Bom)

Sentar nas mesas da calçada do Plin, na região central de Santa Cecília, é agradável: a atmosfera funciona como convite para um almoço ou jantar descomplicado. A casa, aberta há cerca de dois meses, opera como uma trattoria contemporânea e tem atraído público nos fins de semana.

As entradas mostram personalidade. As alcachofras no espeto (R$ 82) chegam tostadas e pinceladas com tarê de pé de galinha, acompanhadas por uma porção generosa de maionese de manteiga queimada, bottarga e cebolinha francesa — combinação que revela camadas de sabor se degustada com calma.

Outra opção de começo é a tulha fries (R$ 69): batatas muito finas cobertas por espuma de pecorino e queijo tulha, petisco difícil de resistir e que funciona bem como aperitivo para compartilhar.

Entre os pratos principais, o mafalda (R$ 75) é criação da casa. A massa mafalda — fitas longas, achatadas e com as bordas onduladas — vem envolvida em molho de tomate e um creme de queijo anunciado no cardápio como espuma. Na prática, a textura é mais cremosa do que arejada, e o sabor do queijo domina o prato. Sem contrastes marcantes e com o prato chegando ligeiramente frio, a experiência perde vivacidade e tende ao monótono.

A lasanha (R$ 75) foi apresentada em formato não tradicional, pensado para lembrar um cheesecake. Tecnicamente criativa, a montagem trouxe várias camadas de massa, mas o recheio mostrou pouca suculência e o béchamel descrito no menu não apareceu com a cremosidade esperada — algo que gerou expectativa e, em parte, frustração. O pesto de agrião posicionado na base foi uma escolha acertada, mas a temperatura irregular (partes mornas e outras mais frias) comprometeu o conjunto; por conta das múltiplas camadas, obter aquecimento uniforme é desafio comum em lasanhas, que aqui ficou mais evidente.

Para finalizar, a torta de limão (R$ 32) traz intervenção autoral: massa fina e crocante disposta em dois discos, com curd de limão que assume uma textura mais firme, quase gelatinosa — opção que pode agradar ou não, dependendo da preferência. O merengue levemente chamuscado e lascas de amêndoa acrescentam textura; a sobremesa é bem executada e suficiente para duas pessoas.

O Plin nasceu com ligação ao Muli, restaurante local especializado em peixes e frutos do mar: ambos têm Giovanni Renê como chef e sócio, o que ajudou a transferir parte do público fiel. A casa já costuma lotar aos finais de semana; para quem busca uma experiência mais tranquila, o almoço durante a semana é alternativa recomendada.

No menu-executivo há opção interessante para o horário comercial: entrada (arancini ou salada caprese), um prato do cardápio principal e sobremesa (tiramisu ou fruta da estação) pelo valor do prato escolhido.

Resumo: o Plin mostra identidade e acertos em entradas e sobremesas, mas alguns pratos principais precisam de ajustes de textura e temperatura para alcançar o potencial total da proposta.

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via Folha de São Paulo

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