Um relatório da organização Human Rights Watch identificou indícios de que câmeras corporais de policiais teriam sido manipuladas pouco antes da Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025. A ação, que completa um ano nesta quarta-feira (28), deixou 122 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, entre eles cinco agentes.
Para chegar às conclusões, a ONG combinou entrevistas e análise documental. Entre os materiais consultados estão:
- 41 entrevistas com testemunhas, familiares de vítimas e autoridades;
- 4.400 horas de gravações de câmeras corporais;
- 9.000 páginas de documentos oficiais;
- 122 laudos de autópsia, registros judiciais e centenas de fotos e vídeos.
Segundo o relatório, há indícios de uso excessivo da força por parte de agentes e sinais de que dezenas de mortes podem ter sido provocadas intencionalmente. A análise também aponta possíveis adulterações em imagens de câmeras corporais ocorridas em momentos-chave — por exemplo, durante prisões, confrontos armados ou entradas de policiais em residências.
A Operação Contenção, deflagrada em 28/10/2025, resultou em um número elevado de vítimas e desencadeou críticas de movimentos sociais e entidades de direitos humanos. Nesta data, coletivos de mães de vítimas e a Frente Penha organizam um ato público para marcar a lembrança das pessoas mortas e cobrar esclarecimentos das autoridades.
Evelin Dias, assistente social e integrante da gestão da Frente Penha, declarou que a mobilização tem como objetivo resgatar a memória das famílias afetadas e denunciar a sensação de abandono. Ela afirma que, nas favelas, a falta de proteção estatal agrava violações e aumenta a sensação de violação de direitos.
O documento da Human Rights Watch conclui que, durante a operação, a polícia deixou de seguir normas legais e protocolos internos. A ONG recomenda a abertura de uma investigação completa e independente sobre o planejamento e as decisões tomadas por comandantes e altos oficiais envolvidos.
O relatório também sugere que o próximo governador do Rio de Janeiro, que tomará posse em janeiro de 2027, apresente um projeto de lei para separar os serviços de perícia da Polícia Civil, medida indicada como forma de reduzir potenciais conflitos de interesse nas apurações criminais.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro em busca de posicionamento e aguarda retorno.
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via Agencia Brasil










