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Júri de empresário acusado de causar morte de motorista de aplicativo em SP começa em 28 de outubro

Júri de empresário acusado de causar morte de motorista de aplicativo em SP começa em 28 de outubro

O julgamento de Fernando Sastre de Andrade Filho, empresário acusado de provocar o acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, começa nesta quarta-feira (28) às 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. A previsão é de que o júri se estenda até quinta-feira (29).

O episódio ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, no bairro do Tatuapé (zona leste). Segundo a investigação, Sastre dirigia um Porsche, perdeu o controle do veículo e colidiu na traseira de um Renault Sandero. A perícia apontou que o automóvel estava a 156 km/h em uma via cujo limite é de 50 km/h. Viana foi levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, onde morreu. O passageiro do Porsche, Marcus Vinicius Machado Rocha, sofreu lesões.

Sastre responde por homicídio qualificado com dolo eventual pelo falecimento de Viana e por lesão corporal em relação a Marcus Vinicius. Ele está preso preventivamente há mais de dois anos. A acusação do Ministério Público afirma que, na noite do acidente, o empresário havia saído com a namorada e um casal de amigos e consumido bebidas em dois estabelecimentos.

Na ocasião, Sastre negou ter ingerido álcool, mas admitiu que estava acima do limite de velocidade. A defesa, comandada pelo advogado Jonas Marzagão, diz que buscará demonstrar ausência de dolo eventual e tentar a desclassificação para homicídio culposo — quando não há intenção de matar —, hipótese com pena menor. O termo “dolo eventual” descreve, no campo penal, situações em que o agente assume o risco de produzir o resultado.

Registros policiais mostram que a mãe do empresário compareceu ao local do acidente e afirmou que o levaria ao Hospital São Luiz Ibirapuera para tratar um ferimento na boca. Policiais militares foram ao hospital para ouvir Sastre e realizar o exame de bafômetro, mas constataram que ele não havia sido internado ali; tentativas de contato telefônico com ele e com a mãe não foram atendidas. O empresário se apresentou ao 30º Distrito Policial (Tatuapé) em 1º de abril de 2024.

A família de Ornaldo Silva Viana contratou a advogada Gabriela Alves Soares Monteiro. Em nome dos familiares, ela afirmou que o objetivo é que “a justiça seja feita” e que o julgamento ajude a trazer algum alívio aos parentes da vítima, mesmo reconhecendo que nada devolverá a vida perdida.

Entre as testemunhas está uma policial militar que atuou no atendimento inicial da ocorrência. Ela pediu à Justiça dispensa da obrigação de comparecer ao júri, mas o Ministério Público se posicionou contra a exoneração, argumentando que o depoimento é relevante para a formação da convicção dos jurados. O magistrado responsável considerou imprescindível a presença da policial; a defesa dela ingressou com habeas corpus no Tribunal de Justiça para tentar evitar a oitiva.

O júri terá caráter público e seguirá os procedimentos previstos para processos de homicídio em instância criminal. A data de início e o local foram fixados pela Justiça para os dias 28 e 29 de outubro de 2026, no Fórum Criminal da Barra Funda.

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via Folha de São Paulo

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