O navegador Amyr Klink é o protagonista de 100 Dias, filme dirigido por Carlos Saldanha que chega aos cinemas em 29 de outubro de 2026. A produção dramatiza a travessia solitária do Atlântico Sul iniciada a partir da Namíbia em junho de 1984 e adapta o livro do próprio Klink, publicado no ano seguinte.
A narrativa intercala a viagem pelo mar com memórias e tensões pessoais do explorador —entre elas a relação conturbada com um pai autoritário e episódios da infância— apresentados em flashbacks. Filipe Bragança interpreta Klink e conta que a equipe gravou a maior parte das cenas de passado antes das sequências no mar, para que o ator sentisse a ausência dos colegas durante cerca de 80% do filme, período em que o personagem está isolado na embarcação.
No filme, aspectos técnicos e científicos da expedição também são mostrados. Em determinada cena, o engenheiro José Carlos Furia, vivido por Duda Mamberti, e o protagonista desenvolvem um sistema para que o barco volte à posição correta após uma eventual virada —um recurso cuja utilidade Klink demora a aceitar, segundo a montagem dramatizada.
Para reproduzir as dificuldades da travessia —como correntes fortes, ataque de tubarões e tempestades— a produção empregou animais gerados digitalmente, tomadas com remos na água e um tanque equipado com tecnologia para simular ondas e intempéries marítimas.
Carlos Saldanha, que se tornou conhecido por animações como Rio e por trabalhar em títulos da franquia A Era do Gelo, diz ter concebido 100 Dias como uma obra de experiência, com poucos diálogos e ênfase em mostrar em vez de explicar. O diretor, que mora nos Estados Unidos, tem nos últimos anos retomado temas brasileiros em projetos anteriores e afirma que o objetivo do filme é dar à história a mesma grandiosidade de produções internacionais.
O projeto exigiu quase dez anos de desenvolvimento. Inicialmente a direção estaria a cargo de Breno Silveira, que morreu em 2022 vítima de um infarto, segundo informações sobre a trajetória da adaptação.
O próprio Amyr Klink ressalta, na linha da obra, a dependência humana diante das forças naturais: lembra que, apesar dos avanços tecnológicos, é impossível prever todas as alterações ambientais. Ele também cita a tentativa recente do engenheiro Rafael Garcia, que em agosto refez a rota da travessia e levou 36 dias a mais, enfrentando mais tempestades e problemas com cracas, o que, na visão de Klink, evidencia fenômenos imprevisíveis no mar e a necessidade de conter a arrogância humana frente à natureza.
Dois anos após a passagem pelo Atlântico Sul, Klink participou de uma expedição à Antártida que resultou no veleiro Paratii, projetado para baixas temperaturas. Entre 1989 e 1991 a embarcação ficou presa ao gelo por mais de 600 dias, período em que a equipe manteve trabalhos de manutenção e estudos sobre o inverno polar.
As expedições de Klink renderam vários livros, entre eles Cem Dias entre Céu e Mar, que se tornou best-seller, além de títulos a respeito da viagem ao Ártico e outros feitos —tema que também inspirou a filha Tamara Klink, autora e exploradora. Neste ano, Tamara protagonizou uma polêmica ao desencorajar temporariamente a compra de seu próprio livro Bom Dia, Inverno, citando preocupações sobre recursos e resíduos; ela depois voltou atrás e se retratou.
O elenco de 100 Dias inclui, além de Filipe Bragança e Duda Mamberti, a atriz Philippine Leroy-Beaulieu. A produção é brasileira, datada de 2026, e recebeu classificação etária de 12 anos.
- Quando: estreia em 29.out.2026
- Classificação: 12 anos
- Elenco principal: Filipe Bragança, Duda Mamberti, Philippine Leroy-Beaulieu
- Direção: Carlos Saldanha
- Produção: Brasil, 2026
O lançamento ocorre num momento em que o cinema brasileiro tem recebido atenção internacional, após premiações e indicações recentes, e a produção espera provocar o público ao mostrar que histórias épicas também podem ser contadas com ambição técnica no país.
Leia também: Aliado de Trump afirma que Flávio Bolsonaro teria chegado aos EUA em operação articulada por Marco Rubio










