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Haiti adia eleições presidenciais para 2027; primeiro turno fica marcado para 18 de julho

Haiti adia eleições presidenciais para 2027; primeiro turno fica marcado para 18 de julho

O conselho eleitoral do Haiti anunciou nesta quarta-feira (28 de outubro de 2026) o adiamento das eleições presidenciais e legislativas, definindo um novo calendário que coloca o primeiro turno em 18 de julho de 2027. O segundo turno, junto com as eleições locais, foi marcado para 4 de outubro de 2027.

O país, o mais populoso do Caribe, não realiza pleitos nacionais desde 2016. O último presidente eleito, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021, e sucessivos governos de transição têm postergado as votações, justificando a decisão pela deterioração da segurança causada pela expansão de territórios controlados por gangues armadas.

Desde 2024, forças estrangeiras atuam no Haiti em missões de segurança apoiadas pela ONU com o objetivo declarado de ajudar a polícia local a retomar bairros dominados por grupos criminosos e criar condições para uma votação segura. Em julho, o conselho eleitoral havia marcado as eleições para 13 de dezembro de 2026, mas no início de outubro informou que revisaria o calendário sem indicar nova data — a qual foi divulgada agora.

Forças especiais salvadorenhas passam em rua de Porto Príncipe
Forças especiais salvadorenhas passam em rua de Porto Príncipe. Crédito: Clarens Siffroy / 26.out.2026 / AFP

O anúncio do novo cronograma ocorre pouco mais de uma semana após o desaparecimento de quatro técnicos de aviação salvadorenhos, resultado de uma emboscada ao veículo em que viajavam em área controlada por gangues nos arredores de Porto Príncipe.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, disse ter lançado uma operação de resgate e enviou centenas de soldados ao país caribenho, sem detalhar a cadeia de comando, a duração da missão ou as atribuições específicas das tropas. O ministério das Relações Exteriores salvadorenho informou que Bukele conversou por telefone com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aime, e manifestou a intenção de enviar mais de 2.000 militares.

Em comunicado, o gabinete de Fils-Aime confirmou a conversa e afirmou que ambos os líderes “reafirmaram seu compromisso de reforçar a coordenação bilateral e a cooperação operacional no âmbito da Força de Repressão às Gangues (apoiada pela ONU), especialmente para apoiar operações de resgate e enfrentar os desafios de segurança”. O governo haitiano não esclareceu se as novas tropas salvadorenhas integrarão formalmente a missão apoiada pela ONU ou atuarão de forma independente.

Analistas e observadores humanitários vêm alertando que a persistente presença de gangues e a fragilidade das instituições haitianas complicam a organização de eleições livres e seguras. A nova data oficial do pleito chega em um contexto de intensificação das operações internacionais destinadas a criar condições mínimas de estabilidade antes do processo eleitoral.

via Folha de São Paulo

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