São Paulo — Morreu em 30 de setembro de 2026, aos 73 anos, Gilberto Munhoz, artesão que iniciou a carreira em feiras livres e mais tarde se destacou no ramo vidreiro como fundador da Show Glass.
Nascido em 15 de janeiro de 1953, no Tatuapé (zona leste), Gilberto cresceu em família numerosa — era um dos 11 irmãos — e teve infância marcada por brincadeiras na rua e futebol. Filho de um casal de origem europeia (uma italiana e um espanhol), deixou a escola na antiga quinta série e começou a trabalhar para colaborar com o sustento da casa.
O primeiro emprego foi entre barracas de feira, onde episódios como o de uma baratinha subindo pela manga da camisa acabavam virando histórias lembradas com humor nos almoços de família. Posteriormente, ingressou na marcenaria por influência de um irmão; foi ali, em uma oficina na frente da casa de Irma Lacanna, que conheceu a mulher com quem se casaria aos 21 anos.
Casados por cinco décadas e celebrando as bodas de ouro, Gilberto e Irma criaram quatro filhos: Joana (49), Leandro, Priscila e Maria. A família enfrentou dificuldades quando a marcenaria que mantinha na Vila Formosa teve de encerrar as atividades, o que obrigou a mudança temporária para o Ipiranga, onde foram hospedados por uma tia viúva.
Com o esforço conjunto das filhas e de parentes, a família reergueu-se; Gilberto comprou um terreno na rua da sogra e construiu a casa onde viveu o restante da vida. A virada profissional ocorreu quando um tio materno o convidou a entrar numa sociedade no setor de vidros. Ele prosperou no novo ramo e fundou a Show Glass, vidraçaria que, anos depois, passou a ser administrada por uma de suas filhas.
Sem formação formal na área, Gilberto era considerado autodidata: elaborava desenhos de projetos com grande detalhamento e realizava cálculos técnicos exigidos por arquitetos, trabalho reconhecido pela precisão e pela confiança de clientes e parceiros.
Conhecido pelo caráter afetuoso e pelas brincadeiras com a família, era torcedor declarado do Corinthians, mesmo convivendo com parentes palmeirenses. Gostava de passeios em família e dos encontros dominicais para jogar dominó. Tinha especial relação com o primeiro neto, com quem fazia viagens à praia e dividia momentos de conversa e caipirinhas.
“Ele foi o homem mais correto e mais generoso que eu já conheci”, disse a filha Joana Anita Munhoz de Mello, 49, que trabalha como orientadora educacional.
Gilberto deixa a esposa Irma, os quatro filhos — Joana, Leandro, Priscila e Maria — e oito netos. A causa registrada foi câncer de pulmão.
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