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Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após derrota e provoca questionamentos sobre autoincriminação

Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após derrota e provoca questionamentos sobre autoincriminação

O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil poucos dias após a derrota na eleição de domingo, 25 de outubro de 2026, em um episódio que já alimenta controvérsias políticas e judiciais. A saída — que envolveu travessia por fronteira terrestre e embarque em jato privado — foi registrada pela imprensa ao desembarcar em Miami, nos Estados Unidos.

O itinerário, segundo apurações, incluiu o uso de uma aeronave ligada a uma empresa mencionada em investigações sobre um esquema de corrupção que resultou na queda de um aliado do presidente Javier Milei. Flávio viajou acompanhado da mulher e das filhas.

Na segunda-feira, 26 de outubro, o senador havia afirmado publicamente que permaneceria no país para “liderar a oposição” ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Horas depois, na manhã de terça-feira, 27 de outubro, seu silêncio e a partida do país mudaram o cenário: ele não entregou os passaportes, descumprindo a determinação do ministro Alexandre de Moraes, e partiu antes de qualquer acusação formal.

Especialistas e adversários interpretaram o ato como uma forma de autoincriminação simbólica, especialmente porque Flávio é alvo de apurações no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF). Entre os inquéritos em curso estão apurações sobre operação com plataformas de apostas e sobre o financiamento do filme-propaganda Dark Horse; também há investigações que envolvem a relação com o empresário Willer Tomaz.

Ao deixar o país antes de perder o foro privilegiado —situação prevista para fevereiro de 2027—, o senador optou pelo exílio nos Estados Unidos, onde buscou abrigo político sob a administração de Donald Trump. A cena remete, para críticos, ao gesto de saída política de seu pai ao final de 2022.

O episódio tem repercussões internas no campo bolsonarista. Flávio, que recebeu quase 60 milhões de votos nas eleições, deixa uma liderança em aberto e intensifica a disputa por representação entre correntes do partido e da direita mais radical. A permanência do senador fora do país também pode abrir espaço para outras figuras da família ou para lideranças externas ao bolsonarismo.

Do ponto de vista político do presidente reeleito, Lula, a decisão de Flávio contrasta com atos de adversários que se entregaram às autoridades para responder a investigações. Para o governo e seus apoiadores, a escolha de sair do país fornece argumento político: permanecer e enfrentar as investigações teria significado permanecer e contestar as acusações na esfera judicial.

O caso seguirá em foco no Brasil por provocar debates sobre impunidade, estratégia política pós-eleitoral e os limites entre exercício político e responsabilização criminal. Autoridades brasileiras acompanham os desdobramentos da saída, enquanto a defesa do senador ainda não apresentou uma agenda pública detalhando as razões que motivaram a partida.

Foto: Flávio Bolsonaro desembarca em Miami — Eva Marie Uzcategui/Reuters

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via Folha de São Paulo

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