Por Vicente Vilardaga
— São Paulo
Uma grande manifestação convocada pelo PT no sábado, 24 de outubro, devolveu temporariamente à esquerda o protagonismo na avenida Paulista, antigo palco das principais disputas políticas da cidade. O ato, em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ocupou ao menos 12 das 18 quadras da via e se espalhou por ruas transversais, como a Alameda Santos.
Quem esteve na Paulista descreveu uma multidão festiva e confiante. Apesar da presença de camisetas amarelas, o vermelho predominou entre os participantes. Próximo ao Masp, avançar 50 metros podia levar de cinco a dez minutos, segundo relatos de quem percorreu o trecho.
Não houve contagem oficial divulgada no local, mas os números e a densidade das pessoas indicam a presença de dezenas — talvez centenas — de milhares de manifestantes. A marcha do PT foi apontada por observadores como um elemento de impulso para a vitória registrada no domingo, quando o presidente foi reeleito.
Nos últimos anos, a Paulista vinha sendo ocupada com frequência por atos de caráter conservador e de extrema direita. Entre 2024 e 2026 foram registrados ao menos sete eventos de grande porte na via; um dos maiores ocorreu em fevereiro de 2024 e reuniu cerca de 185 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor/USP. Em 2026, apoiadores do candidato de oposição Flávio Bolsonaro organizaram manifestações em 1º de março, 7 de setembro e 18 de outubro — esta última, seis dias antes do ato pró‑Lula, teve estimativa de 71,9 mil participantes pela USP/Cebrap.
Os protestos de origem progressista foram mais raros nos últimos três anos. Em julho de 2025 cerca de 15 mil pessoas se concentraram na Paulista para pedir a taxação de super‑ricos e o fim da escala 6×1. Em setembro daquele ano, aproximandamente 42 mil manifestantes protestaram contra a chamada PEC da Blindagem e o projeto de lei da Anistia, segundo o Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common.
A história política da avenida remonta ao período pós‑ditadura: a Paulista tornou‑se um termômetro do país desde grandes mobilizações como a campanha pelo impeachment de Fernando Collor em 1992, as jornadas de junho de 2013 e os protestos de 2015‑2016 que pediam o afastamento de Dilma Rousseff. Hoje, a avenida mantém esse papel simbólico — o que ocorre ali costuma repercutir nacionalmente.
O êxito do ato no último sábado representou, ao menos momentaneamente, a reversão de uma sequência de ocupações majoritariamente conservadoras e reativou a presença de grupos progressistas nas ruas, contribuindo para a dinâmica eleitoral daquele fim de semana.


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