Brasília — Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm recomendado cautela interna depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos. No Planalto, a determinação interna é não dar atenção às declarações do parlamentar feitas a partir do exterior.
Integrantes do governo argumentam que o foco do presidente precisa ser governar e que amplificar as falas de um opositor que não reconheceu o resultado das eleições poderia ser contraproducente. Internamente, um auxiliar descreveu o comportamento de Flávio como de um “moleque” e afirmou que o Executivo não pretende oferecer “palco” para provocações.
No dia 27 de outubro, Lula classificou a saída do senador como “vergonhosa” e afirmou que ele deveria ter apresentado o passaporte às autoridades. O presidente também rejeitou alegações de falta de democracia no país, lembrando que, se essa acusação fosse verdadeira, pessoas ligadas a milícias não teriam conseguido concorrer à Presidência.
Aliados do governo ressaltam ainda que a carta divulgada pelo senador, na qual ele se autoproclamou “presidente eleito”, teve efeito negativo sobre sua credibilidade e reforça a avaliação de que ele não honrou os quase 60 milhões de votos que recebeu.
O Partido dos Trabalhadores assumiu a iniciativa de cobrar uma reação formal da Justiça Eleitoral. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, pediu que o Tribunal Superior Eleitoral se manifeste com rapidez e firmeza, apontando que Flávio não só se autoproclamou como também contestou publicamente o resultado oficial e deve responder por essas ações.
O episódio, que se seguiu à derrota do círculo político de Flávio nas eleições do último domingo (25), mantém em curso debates sobre possíveis desdobramentos legais e institucionais, enquanto o governo aposta na estratégia de minimizar a exposição do parlamentar no exterior.
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