São Paulo, 29.out.2026 — O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) pretende realizar uma nova edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) em 2027, mantendo o modelo de seleção em ciclos regulares, idealmente a cada dois anos. A confirmação, porém, está condicionada à aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) pelo Congresso Nacional.
O Ploa enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de agosto reserva R$ 1,3 bilhão para contratações no Poder Executivo federal e R$ 1,2 bilhão voltados a concursos em instituições federais de ensino. No total, o documento prevê 53.530 vagas em 2027, cifra que orienta o planejamento do MGI para a próxima edição do CNU.
Segundo a pasta, se o Orçamento for aprovado nas previsões encaminhadas, o chamado “Enem dos Concursos” poderá ocorrer já no primeiro semestre de 2027, embora ainda não exista data definida pelo Ministério.
Em nota, o MGI classificou o CNU como uma política pública voltada à renovação, modernização e democratização do acesso ao serviço público federal. A pasta afirma que pretende consolidar o processo como uma seleção permanente, com ciclos regulares para repor quadros à medida que servidores se aposentam.
Desde 2025, a preparação técnica do CNU tem sido conduzida pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A intenção do MGI é manter a Enap como executora das edições, enquanto o ministério fica responsável pela coordenação, monitoramento e avaliação da política, conforme afirma Maria Aparecida Chagas Ferreira, diretora de planejamento da força de trabalho do MGI.
O modelo de seleção adotado tem atraído o interesse de estados e municípios, que têm dialogado com o ministério para conhecer o formato e eventualmente replicá-lo em concursos unificados locais. O MGI já iniciou conversas com o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) para oferecer referências técnicas e legislativas.
As primeiras edições do CNU demonstraram escala e complexidade logísticas: a prova inaugural, em 2024, registrou 2,1 milhões de inscritos para 6.640 vagas distribuídas em 21 órgãos e foi aplicada em 228 cidades — a data prevista para maio foi adiada para agosto por causa das fortes chuvas no Rio Grande do Sul. A edição de 2025 teve 761.528 inscritos concorrendo a 3.652 vagas em 32 órgãos.
Para garantir a segurança dos exames e reduzir riscos de vazamento e fraudes, as seleções contaram com esquema que envolveu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Força Nacional, polícias Federal, Rodoviária Federal e Militar, além da Casa Civil, do Ministério da Justiça e do próprio MGI. Medidas adotadas incluem coleta de biometria, exame grafológico, detector de metais nas escolas e outros procedimentos de fiscalização.
O MGI também ressaltou que a consolidação do CNU permite um planejamento mais organizado para recomposição da força de trabalho federal e abre possibilidades de parcerias com entes subnacionais para realizar seleções em larga escala.

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