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Auxílio de Milei na saída de Flávio Bolsonaro aprofunda crise diplomática entre Brasil e Argentina

Auxílio de Milei na saída de Flávio Bolsonaro aprofunda crise diplomática entre Brasil e Argentina

Revelações de meios de comunicação argentinos de que o governo de Javier Milei ajudou na operação que levou o senador Flávio Bolsonaro e familiares para fora do Brasil pioraram substancialmente o estado das relações entre os dois países.

Segundo reportagens, a comitiva brasileira entrou pela Ponte Internacional Tancredo Neves na noite de terça-feira (27.out.2026). A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou no X (ex-Twitter) que a passagem ocorreu às 22h50 e que, às 23h30, o grupo embarcou em um voo privado operado pela companhia Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo.

Fontes argentinas também relataram a presença de Santiago Caputo, assessor especial do presidente Milei, em Porto Iguaçu no momento da decolagem e dizem que um veículo ligado ao governo teria levado o senador até a aeronave. Flávio, que havia deixado o país após perder a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ter sido alvo de ordem judicial para entrega dos passaportes, agradeceu publicamente a Milei em discurso divulgado na quarta (28): “pela coragem, senso de justiça e legalidade”.

Do lado brasileiro, auxiliares do governo Lula ouvidos em Brasília consideram que a sequência de episódios mina a já frágil confiança entre autoridades dos dois países e tende a manter congelado o relacionamento político.

Nos últimos meses, a interação diplomática vinha em baixa. Em agosto, o governo brasileiro orientou que o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, retornasse a Buenos Aires, enquanto o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, permaneceu no país. A avaliação interna é de que o retorno dos embaixadores às respectivas capitais é, por ora, pouco provável, e que o impasse pode perdurar até, pelo menos, a eleição argentina prevista para outubro de 2027.

Repercussões públicas agravam o incidente: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou Milei como “palhaço”, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), disse que o argentino é uma “caricatura patética” e um puxa‑saco de Donald Trump. A escalada verbal inclui ofensas públicas do próprio Milei contra Lula nas semanas anteriores e a presença do argentino no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, quando chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e “presidiário” e ofendeu o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Ao longo de terça-feira (27), integrantes do governo brasileiro relataram tentativas intensas de comunicação com autoridades argentinas, que, inicialmente, negaram registro da entrada de Flávio no país. Esse desencontro é interpretado por interlocutores do Planalto como sintoma do mau momento das relações bilaterais.

Além do episódio da saída do senador, o porta-voz de Milei, Adrian Ravier, afirmou à imprensa que o governo argentino não faria pronunciamento sobre a vitória eleitoral de Lula. Ravier também alegou que, em 2023, Lula teria ignorado Milei — afirmação rebatida por Brasília, que lembra que o presidente brasileiro havia cumprimentado as instituições e o povo argentinos pela condução do processo eleitoral.

Analistas ouvidos por representantes do governo avaliam que, enquanto persistirem atos como os agora relatados, será difícil restabelecer canais de cooperação política de nível regular entre Brasil e Argentina.

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via Folha de São Paulo

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