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Reeleição de Lula fortalece projeção internacional do Brasil, avalia colunista

Reeleição de Lula fortalece projeção internacional do Brasil, avalia colunista

Por Maria Hermínia Tavares — Publicado em 28 de outubro de 2026 às 14h12

A confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo, 25 de outubro de 2026, tem repercussões externas que vão além da simples derrota de adversários políticos no plano doméstico. Três impactos internacionais merecem destaque por seu potencial de reforçar a presença e a influência do Brasil no mundo.

Em primeiro lugar, a continuidade do governo evita o avanço previsível da degradação da Amazônia que vinha sendo impulsionado por práticas negacionistas e por grupos criminosos. A preservação da floresta continua a ser uma questão de interesse global e exigirá do Executivo clareza de metas, maior capacidade institucional, alocação eficiente de recursos e disposição para construir acordos com parceiros internacionais. Além disso, será preciso conciliar interesses conflitantes de povos indígenas e tradicionais, produtores rurais, pecuaristas, mineradores legalizados e populações urbanas que vivem na região.

Se a Amazônia vier a ser reconhecida amplamente como patrimônio da humanidade, sob gestão majoritariamente brasileira, ganharíamos um instrumento poderoso de política externa: o bioma passa a conferir ao país maior relevância nos fóruns multilaterais que moldam decisões sobre clima e conservação.

O segundo efeito está ligado à cena de segurança continental. A derrota de Flávio Bolsonaro reduz a força política por trás do projeto conhecido como “Escudo das Américas”, uma proposta de domínio hemisférico associada ao estilo de política externa de Donald Trump. Sem a participação das três nações mais populosas das Américas — Brasil, México e Canadá — essa iniciativa perde coesão e tende a ser mais um exercício de assertividade dos governos que a promovem do que um mecanismo eficaz de proteção regional.

Ainda assim, os problemas reais de segurança —notadamente os provocados pelo crime transnacional— permanecem e exigirão cooperação intensa com parceiros, inclusive com os Estados Unidos. Superar esses desafios será tarefa de diplomatas experientes, das lideranças militares e de autoridades civis, em articulação com países vizinhos e organismos internacionais.

Por fim, a vitória expressa, no plano simbólico e prático, que é possível derrotar a extrema direita em eleições livres. O crescimento de movimentos de direita radical é um fenômeno global, alimentado por insatisfações diversas —medo da violência, xenofobia, perda de postos de trabalho e status social— e por redes transnacionais que disseminam modelos de ação e agendas prontas.

Ao derrotar o bolsonarismo —a versão brasileira desse extremismo— os eleitores do país ofereceram um exemplo para outras democracias: alternativas eleitorais e institucionais ainda funcionam como freios à ascensão de projetos que desprezam pilares das democracias liberais, como o Estado de Direito, a imprensa livre, os contrapesos institucionais e a proteção de minorias.

Em suma, a reeleição abre oportunidades importantes para o Brasil reforçar sua política ambiental, retomar papéis centrais nas negociações internacionais e consolidar uma imagem de país capaz de resistir ao avanço autoritário. Transformar essas oportunidades em conquistas reais dependerá, porém, de políticas públicas bem desenhadas e de habilidade diplomática para construir consensos nacionais e apoios externos.

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via Folha de São Paulo

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