Após a derrota nas eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas em um avião privado operado pela Baires Fly S.A., empresa que consta em investigação judicial argentina sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos públicos para aquisição de medicamentos e insumos médicos.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que o senador e os familiares cruzaram a fronteira por via terrestre pela Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50 de terça-feira, 27 de outubro de 2026. Por volta das 23h30 eles teriam embarcado em um voo privado, conforme plano de voo apresentado às autoridades, com destino inicial a Guayaquil (Equador). A aeronave usada é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW; após a escala no Equador, a viagem prosseguiu até Miami, nos Estados Unidos.
Relatórios e diligências judiciais na Argentina apontam que a Baires Fly aparece em apurações sobre transferências de recursos feitas por fornecedores da Andis — agência estatal responsável por políticas para pessoas com deficiência — que, segundo os investigadores, teriam sido justificadas por faturas e serviços aeronáuticos emitidos pela companhia, possivelmente para dar aparência legal às movimentações.
Documentos citam o empresário Sergio Mastropietro como pessoa ligada à Baires Fly e investigada por supostamente fornecer dados bancários da empresa, receber transferências e emitir notas fiscais correspondentes. Uma cobertura jornalística de fevereiro de 2026 relata medidas judiciais relacionadas ao caso, entre elas pedidos de recalculo de bloqueios de bens vinculados à empresa.
O suposto esquema provocou um escândalo no governo do presidente Javier Milei em 2025 e resultou, em agosto daquele ano, na demissão de Diego Spagnuolo, então diretor de um órgão ligado à Presidência e próximo ao mandatário. A divulgação de gravações atribuídas a membros do círculo envolvido trouxe relatos de pedidos de propina a laboratórios fornecedores da Andis e menções à irmã do presidente, Karina Milei.
Fontes especializadas estimam que um Gulfstream G400 usado tenha preço de mercado entre US$ 7 milhões e US$ 9 milhões. O jatinho empregado na viagem foi fabricado em 2004 e, segundo o anúncio de venda consultado, registra 9.210,3 horas de voo e 4.048 pousos.
A reportagem tentou contato com a Baires Fly pelo e-mail de contato disponível no site da empresa, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
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