No segundo turno realizado em 25 de outubro de 2026, 4.442 municípios registraram redução na abstenção em comparação ao primeiro turno, o que se traduziu em quase 3 milhões de eleitores a mais que foram às urnas.
Ao todo, 79,7% das cidades brasileiras apresentaram queda na taxa de ausentes. Entre os 102 municípios com mais de 200 mil eleitores, a abstenção caiu em 90% deles. Nesse grupo de grandes cidades, o ex‑presidente Lula (PT) aumentou sua votação média em 5,7 pontos percentuais em relação ao primeiro turno.
No conjunto dos municípios onde a abstenção recuou, a maioria dos votos foi para o candidato do PL, Flávio Bolsonaro: ele obteve a maioria em 2.379 desses municípios. Lula, por sua vez, ampliou o número de eleitores em 2.250 cidades, mas conquistou a maioria em apenas 171 delas — o que corresponde a 3,85% dos municípios que registraram queda nas ausências.
Dos 10,4 milhões de votos adicionais que Lula teve na soma nacional em relação ao primeiro turno, apenas parte veio do eleitor que havia se absteve na primeira rodada. Mesmo que tivesse recebido todos os eleitores que só foram votar no segundo turno, esse contingente não seria suficiente para explicar a vantagem final de 4,4 milhões de votos que o separou do adversário.
Em alguns locais o desempenho de Flávio Bolsonaro recuou em votos nominais apesar do aumento no comparecimento. Esse fenômeno ficou mais evidente na região Norte: entre os 25 municípios que mais reduziram a votação do candidato do PL, 88% estão no Norte; os demais concentram‑se no Sudeste (8%) e no Nordeste (4%).
Casos e exemplos:
- Camaçari (BA) — queda da abstenção de 4,82 pontos percentuais.
- Salvador (BA) — queda de 4,37 pontos percentuais; no domingo do segundo turno houve restrições à circulação por problemas no transporte público; o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia chegou a determinar a prisão do secretário municipal de Transportes, Pablo Souza, medida que depois foi revogada.
- Lauro de Freitas (BA) — abstenção caiu de 22,9% para 17,3% (redução de 5,6 pontos percentuais).
- Tacuru (MS) — maior queda proporcional na abstenção: de 33,4% para 24,4%; aí a vantagem de Lula sobre Flávio ampliou 4,31 pontos percentuais.
- Narandiba (SP) — segunda maior queda relativa na abstenção: de 19,87% para 11,73%; Lula reduziu sua diferença para Flávio em 5,88 pontos percentuais, embora o filho do ex‑presidente tenha vencido na cidade.
No Norte também houve cidades com alta expressiva na abstenção: Itaubal (AP) passou de 17,19% no primeiro turno para 41,01% no segundo; Cutias (AP) subiu de 17,60% para 40,36%. Em ambos os municípios Lula venceu nos dois turnos.
Entre as capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores, Macapá registrou aumento de 5,96 pontos percentuais na abstenção, apesar de ter sido uma das praças em que Lula conseguiu reverter o resultado contra Flávio.
O balanço regional do Norte mostrou um comportamento misto: embora algumas cidades tenham elevado a abstenção e outras reduzido a votação nominal de Flávio, a macrorregião teve um saldo final de cerca de 14,1 mil novos votos para o candidato do PL, impulsionado apenas por ganhos no Pará e em Rondônia. Ainda assim, Lula venceu no Norte por uma margem aproximada de 1.000 votos — e somou 474 mil votos a mais na região em comparação ao primeiro turno, com mais de 263 mil desses votos adicionais somente no Pará.
Os dados mostram que o movimento de eleitores ausentes e o avanço do comparecimento tiveram resultados heterogêneos pelo país: em muitas grandes cidades a mobilização foi decisiva para reduzir a abstenção e beneficiar Lula em média, enquanto em diversos municípios do Norte e em outras regiões o aumento da participação não converteu automaticamente em crescimento da votação do petista.
As variações locais e regionais na participação explicam, em parte, a geografia do resultado final do segundo turno e evidenciam como fatores operacionais (como transporte) e logísticas influenciaram a presença do eleitor no dia da votação.
Leia também: Ministro do Trabalho repudia campanha que incentiva demissão de eleitores de Lula










