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Mercado pressiona Lula por anúncio rápido do ministro da Fazenda; petistas rejeitam pressa em ‘ressaca eleitoral’

Mercado pressiona Lula por anúncio rápido do ministro da Fazenda; petistas rejeitam pressa em 'ressaca eleitoral'

Brasília — O mercado financeiro insiste em uma indicação rápida para o cargo de ministro da Fazenda como forma de restaurar confiança fiscal após a eleição, mas auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm sinalizado que a definição não será imediata.

Integrantes do entorno presidencial afirmam que Lula pretende aproveitar um período de descanso depois da intensa rotina eleitoral. O presidente tem apresentado rouquidão há cerca de duas semanas e chegou a postergar a comemoração do aniversário, celebrado em 27 de outubro, para o fim de semana.

Um assessor descreveu o momento como uma espécie de “ressaca cívica”, lembrando que até dias atrás Lula estava concentrado na disputa eleitoral e que a montagem do próximo governo não é prioridade imediata para o presidente.

Histórico recente mostra que nomes para a Fazenda nem sempre foram anunciados rapidamente após eleições. Em 2022, por exemplo, Lula só confirmou Fernando Haddad para a pasta em 9 de dezembro — quase um mês e meio após a vitória de 30 de outubro. Na primeira eleição do presidente, em 2002, Antônio Palocci foi apontado para o cargo em 10 de dezembro, em discurso no National Press Club, durante viagem a Washington. Em 2006, Guido Mantega já ocupava a cadeira e permaneceu no posto.

Apesar da cautela do Planalto, há pressão para que a escolha venha acompanhada de medidas iniciais de ajuste. A avaliação entre conselheiros do governo e economistas consultados é de que apenas nomear o novo ministro não será suficiente: o anúncio precisa vir com sinais sobre o plano para conter despesas obrigatórias em um cenário de desaceleração econômica.

Dois nomes aparecem entre os mais cotados: o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Aliados dizem que Lula manifestou desejo de contar com Fonteles e que já houve consultas informais sobre a legalidade de sua saída do governo estadual. A avaliação prevalente é que o governador teria de renunciar para assumir a pasta, o que, segundo interlocutores, poderia ser comunicado no Piauí como um atendimento a uma convocação do presidente.

Enquanto a definição não ocorre, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, permanece responsável por encaminhar possíveis medidas iniciais. Segundo auxiliares, Durigan já organizou um cardápio de ações que poderiam ser implementadas nas próximas semanas para dar algum horizonte antes da posse do novo titular.

Entre as propostas em elaboração pela equipe econômica está uma PEC para permitir ao Executivo congelar um montante maior de recursos em caso de queda de arrecadação, com o objetivo de garantir o cumprimento do centro da meta fiscal — ao invés de ajustar até o piso da banda como tem ocorrido. Outra iniciativa é a prorrogação da vigência do IPI por meio de PEC até que o novo Imposto Seletivo previsto na reforma tributária entre em operação. Ambas as medidas dependem da aprovação política e do aval do presidente.

Do lado do governo, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), afirmou que as prioridades imediatas serão a PEC da Segurança Pública, a medida provisória que determina o fim das apostas (bets) e a PEC da tarifa zero do transporte público. Segundo ele, o ajuste fiscal não figura no topo da agenda.

Fontes do mercado ressaltam a urgência de uma definição para reduzir a volatilidade. Em 27 de outubro, o dólar recuou após uma forte alta no dia anterior, quando a moeda registrou a maior valorização diária desde 1999. O recuo refletiu, em parte, operações do Tesouro Nacional e do Banco Central: o Tesouro anunciou a recompra de títulos IPCA+ e cancelou leilões de Tesouro Selic. Na véspera, a recompras de títulos prefixados e atrelados à inflação somaram R$ 14,8 bilhões — a terceira maior intervenção diária desde o início da série em janeiro de 2000, em valores nominais.

Um banqueiro ouvido pela reportagem afirmou que a pressão por rapidez é maior do que seria se tivesse vencido outro candidato — citando que, no entendimento do interlocutor, o presidente enfrenta agora um momento de maior tensão em que forças políticas e econômicas disputam influência sobre a escolha para a Fazenda.

Reportagem por Adriana Fernandes, Catia Seabra e Idiana Tomazelli

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via Folha de São Paulo

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