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Setor de renováveis exige ações concretas após reeleição de Lula: regulação, baterias e créditos de carbono na pauta

Setor de renováveis exige ações concretas após reeleição de Lula: regulação, baterias e créditos de carbono na pauta

São Paulo — Lideranças do setor de energia renovável afirmam que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada em 25 de outubro de 2026, amplia a necessidade de transformar em prática as normas e medidas aprovadas para a transição energética.

Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, afirmou que o tema da descarbonização voltou ao centro do debate e que o Brasil reconquistou protagonismo internacional. Segundo ela, embora muitas leis já tenham sido sancionadas pelo Congresso, falta agora concluir a etapa de regulamentação e garantir a implementação efetiva das medidas.

O setor aponta como um problema recorrente o desperdício de energia renovável gerado pelo corte obrigatório de excedente de geração (curtailment) para preservar o equilíbrio do sistema elétrico. Esse fenômeno tem sido relacionado a uma retração nas instalações de novos projetos: dados citados pelo mercado indicam queda de cerca de 27% nas novas conexões de fontes renováveis.

Como resposta, o governo projeta promover em dezembro o primeiro leilão de sistemas de baterias, equipamento considerado central para armazenar excedentes e reduzir perdas. A Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) também defende medidas para recuperar a segurança jurídica do setor elétrico e recomenda ações específicas: isentar ou reduzir tributos que hoje representam, na estimativa da associação, até 84% do custo das baterias; e estabelecer mecanismos de ressarcimento justos para empreendimentos afetados por cortes de geração.

Bárbara Rubim, presidente do conselho de administração da Absolar, destacou que cumprir promessas de governo passa por devolver previsibilidade ao mercado, especialmente diante do aumento de eventos climáticos extremos que elevam riscos para o setor.

Para consultoras e associações, a vitória eleitoral traz um elemento de estabilidade política. Carolina Pavese, diretora da Impacta Consultoria Estratégica, afirmou que conhecer a forma de atuação do governo favorece planejamento, desde que as políticas avancem da letra da lei para a prática.

Créditos de carbono e eólica offshore

No debate sobre financiamento de grandes projetos, os créditos de carbono surgem como alternativa apontada por analistas. Uma análise encomendada pelo Global Wind Energy Council (GWEC) à consultoria WayCarbon será divulgada em 28 de outubro durante o evento Brazil Windpower 2026, em São Paulo. O estudo indica que até cerca de 10% da margem de lucro de projetos eólicos offshore pode vir da receita gerada por créditos de carbono.

Gustavo Ferreira, assessor de políticas para o Brasil do GWEC, observou que o custo elevado das iniciativas offshore é um obstáculo central e que receitas adicionais — como as de carbono — podem melhorar a atratividade financeira, desde que as premissas usadas sejam conservadoras.

O governo havia sancionado em 2025 a lei que regulamentou eólicas em alto-mar, mas as primeiras instalações só devem ocorrer daqui a aproximadamente dez anos. Para que créditos de carbono sejam usados como fonte de receita, é necessário comprovar a adicionalidade, isto é, que as ações certificadas resultem em redução ou remoção de emissões. O Brasil consta entre os países aptos a adotar metodologia da certificadora Verra baseada em eletricidade renovável; outra via apontada é o mercado internacional previsto no Acordo de Paris.

Demandas prioritárias do setor

  • Regulamentação e implementação imediata de leis aprovadas para a transição energética;
  • Leilão de baterias previsto para dezembro e políticas tributárias que reduzam o custo do armazenamento;
  • Mecanismos de compensação para geradores que sofreram cortes forçados de produção;
  • Uso cauteloso de receitas de créditos de carbono para financiar eólicas offshore, observando regras de adicionalidade.

Integrantes da cadeia produtiva avaliam que a combinação entre previsibilidade regulatória, investimentos em armazenamento e um mercado de carbono bem desenhado será necessária para recuperar o ritmo de expansão das renováveis no Brasil e diminuir o desperdício de geração limpa.

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via Folha de São Paulo

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