Por Julia Chaib e Isabella Menon
— Atualizado:
Aliados da família Bolsonaro com interlocução nos Estados Unidos afirmam que a administração de Donald Trump teve conhecimento da saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil e que o governo americano concederá asilo ao político.
De acordo com essas fontes, Flávio teria embarcado acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas, com destino a Miami ou Dallas, e já teria desembarcado no país norte-americano. Um assessor americano próximo ao governo também disse que a gestão Trump participou do plano de retirar o senador do Brasil.
Pessoas próximas a Flávio negavam no início do dia ter informação sobre o paradeiro do senador, algumas ironizando a hipótese de fuga. Em paralelo, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos declarou não ter dados precisos, mas afirmou que espera que Flávio tenha saído do país para proteger a família. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) reagiu nas redes sociais questionando, em tom retórico, a segurança de cidadãos comuns diante do cenário.
Contexto e medidas judiciais
Segundo relatos de aliados, a decisão de deixar o Brasil foi tomada na segunda-feira (26), depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes brasileiro e italiano de Flávio Bolsonaro —ele possui cidadania italiana. A Polícia Federal cancelou o passaporte brasileiro do senador após ele não ter entregue o documento à corporação; o passaporte italiano segue válido.
A PF emitiu alerta para monitorar as fronteiras, mas aliados afirmam que as ações de fiscalização podem não ter sido suficientes para impedir a saída.
Investigações em curso
Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos criminais que apuram suspeitas de corrupção. Um deles investiga um pedido de recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para custear o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro —investigações apontam negociação de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. Esse caso envolve apurações por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusações que o senador nega.
O outro inquérito está ligado a irregularidades no INSS e inclui apurações sobre a relação do senador com o advogado Willer Tomaz. Na Operação Sem Desconto, o celular de Willer foi apreendido; a investigação aponta indícios de movimentações financeiras atípicas e possíveis estruturas de dissimulação de patrimônio. Em razão dessas apurações, o ministro Alexandre de Moraes também proibiu o contato entre Flávio e Willer.
O término do mandato de Flávio como senador, em fevereiro, implicará o fim do foro especial que o protegia —ele ficará sem cargo eletivo pela primeira vez desde 2002. Caso tivesse sido eleito presidente, teria imunidade temporária para ser processado por fatos anteriores ao eventual mandato.
Trecho cronológico
- 26.out.2026 — Segundo aliados, decisão de deixar o Brasil é tomada após ordem de apreensão de passaportes de Alexandre de Moraes.
- 27.out.2026 — Fontes dizem que Flávio viajou com a mulher e as filhas para Miami ou Dallas e já estaria nos EUA.
- Operações judiciais em curso — Inquéritos vinculados ao Banco Master/Daniel Vorcaro e a supostas fraudes no INSS, com apuração de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz.
As informações sobre o suposto asilo e a participação do governo americano na saída do senador partiram de aliados da família e de uma fonte próxima à administração dos EUA, conforme registrado por essas fontes.
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