Rio de Janeiro, 28/10/2026 — Agentes da Polícia Civil, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em uma operação destinada a desarticular uma quadrilha ligada ao Comando Vermelho que controlava a comercialização de gás de cozinha em comunidades do estado. Até o início da manhã, quatro pessoas haviam sido detidas.
A operação, denominada Dominus, também requereu o bloqueio de mais de R$ 350 milhões em ativos financeiros e o sequestro de bens atribuídos aos investigados. As medidas visam impedir a continuidade das atividades financeiras atribuídas ao grupo enquanto prosseguem as investigações.
Segundo as apurações, o grupo utilizava a coerção e o domínio territorial exercido pela facção para impor regras comerciais locais: os comerciantes eram impedidos de escolher livremente fornecedores e, em muitos casos, eram obrigados a adquirir gás de empresas vinculadas aos investigados ou a pagar repasses periódicos — uma cobrança recorrente identificada nas investigações e chamada de “meta do gás” — sob ameaça de represálias.
As autoridades apontam que essas extorsões funcionavam como fonte de arrecadação para manter a estrutura criminosa, que teria divisão de funções definida e comunicação constante entre seus membros. Além das cobranças, as investigações apuram mecanismos de ocultação de patrimônio por meio de empresas de fachada e pessoas usadas como laranjas.
O trabalho investigativo incluiu o cruzamento de dados financeiros, cadastrais e telemáticos, que revelou movimentações incompatíveis com a renda declarada de indivíduos ligados ao esquema e indicou relações entre sociedades empresariais e interesses patrimoniais dos alvos.
Especialistas em segurança pública e representantes do comércio em áreas afetadas ressaltam que esse tipo de controle sobre a venda de gás de cozinha prejudica pequenos empresários, encarece insumos essenciais e aprofunda a violência econômica nas comunidades.
As diligências seguem em andamento para apurar responsabilidades, localizar eventuais outros envolvidos e consolidar a comprovação dos vínculos financeiros e operacionais identificados pelos investigadores.
Por: Priscila Thereso — repórter | Local: Rio de Janeiro | Data: 28/10/2026
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via Agencia Brasil










