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Eleições EUA 2026: democratas caminham para retomar a maioria na Câmara; controle do Senado fica em disputa

Eleições EUA 2026: democratas caminham para retomar a maioria na Câmara; controle do Senado fica em disputa

Por Lúcia Guimarães — 28.out.2026 às 23h00

Pesquisas e fluxos de votos apontam que o Partido Democrata está próximo de recuperar a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições legislativas de 3 de novembro de 2026. A disputa pelo controle do Senado, antes considerada remota, também aparece agora como alcançável para os democratas, segundo as últimas projeções eleitorais.

Analistas alertam, porém, para a margem de erro das sondagens: tanto em 2016 quanto em 2024 as pesquisas subestimaram o apoio a Donald Trump, e existe uma tendência recente de amostragem que favorece eleitores proclives aos democratas.

A movimentação do presidente em comícios, inclusive em estados que venceu com folga em 2024, sinaliza a preocupação do Executivo. A Casa Branca, que tem contado com maiorias alinhadas nas duas Casas do Congresso há 19 meses, intensificou atos públicos para tentar mobilizar a base.

Trump participa de comício em Ohio
Trump participa de comício em Ohio para angariar votos nas eleições legislativas de meio de mandato — Kent Nishimura/AFP, 28.out.26

Trata‑se da campanha eleitoral mais cara da história dos Estados Unidos para um ano sem disputa presidencial: mais de US$ 11 bilhões foram aplicados em publicidade para concorrer às 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 vagas do Senado e para os governos de 36 estados.

Doadores bilionários também intensificaram aportes: o empresário Elon Musk gastou cerca de meio bilhão de dólares em apoio a candidaturas republicanas nas últimas semanas, numa tentativa de influenciar resultados em várias bancadas.

Outros sinais preocupam a campanha republicana. A audiência da Fox News, principal fonte de informação para grande parte do eleitorado alinhado ao presidente, caiu ao nível mais baixo desde 2023, indicador de possível fadiga entre eleitores que os republicanos precisam mobilizar em eleições de meio de mandato, historicamente marcadas por maior abstenção.

Pesquisa recente do Marist Center registrou que 44% dos prováveis eleitores afirmam que irão às urnas motivados por protesto contra Donald Trump. Ao mesmo tempo, quase 40 milhões de americanos já votaram antecipadamente, presencialmente ou por correio, número recorde que traduz a importância estratégica do voto antecipado neste pleito.

As prioridades dos eleitores continuam dominadas pelo custo de vida — de alimentos a combustíveis, impactados pela guerra com o Irã, que contribuiu para a alta dos preços —, mas o temor pela saúde da democracia subiu nas prioridades, aparecendo como a segunda preocupação em levantamento recente.

Questões de integridade eleitoral também ganham espaço: 32% dos eleitores dizem estar preocupados com a lisura do pleito em 2026, uma apreensão que pode influenciar tanto a participação quanto a recepção dos resultados.

Se a apuração transcorrer sem impedimentos federais e dentro da normalidade nos estados, o resultado das urnas poderá surpreender grandes doadores e dirigentes partidários. Para os democratas, a reconquista da Câmara representa a possibilidade de reequilibrar a aprovação legislativa, comandar comissões e dificultar a agenda do Executivo; para os republicanos, a hipótese de perder a maioria implica perda de poder sobre a pauta legislativa e as investigações de governo.

Além dos fatores locais, observadores notaram a reação internacional a eleições recentes em outros países, como a de 2022 no Brasil, que despertou curiosidade entre americanos e, segundo alguns comentaristas, influenciou percepções sobre demanda por mudanças sociais e econômicas.

Com a reta final da campanha, resta acompanhar se a combinação de votos antecipados, temas econômicos, preocupações com a integridade do processo e a capacidade de cada partido de mobilizar sua base se confirmará nas urnas em 3 de novembro.

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via Folha de São Paulo

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