— A notícia de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil em direção à Flórida com a mulher, Fernanda, e as duas filhas na madrugada desta terça-feira (27) reacende episódios recentes em que aliados do entorno da família Bolsonaro buscaram o exterior após reveses judiciais.
Aliados próximos informaram nesta terça que Flávio teria saído do país menos de 48 horas após a derrota nas eleições, ocorrida no domingo (25). A saída relatada ocorreria menos de 24 horas depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes ter cancelado todos os passaportes emitidos em nome do ex-candidato e determinado que ele estava proibido de deixar o território nacional.
A assessoria do senador não se manifestou sobre as informações. Na manhã de terça, a Polícia Federal informou que está mapeando pontos de fronteira para checar a veracidade das notícias sobre a saída do congressista. Entre as hipóteses investigadas estão uma passagem pelo sul do país em direção à Argentina e uma rota que envolveria voo para Caracas, na Venezuela, e conexão para Miami.
O site argentino Infobae noticiou que Flávio teria cruzado a fronteira com o documento de identidade e embarcado, a partir de Porto Iguaçu, em um avião Gulfstream com destino aos Estados Unidos. As autoridades brasileiras ainda apuram esses relatos.
Contexto: saídas e exílios de aliados
Se confirmada, a suposta saída do senador se somaria a uma série de casos de bolsonaristas que deixaram o Brasil após avanços de investigações e decisões judiciais. A seguir, um resumo desses episódios.
Eduardo Bolsonaro
O filho 03 do ex-presidente deixou o país em março de 2025 e foi aos Estados Unidos numa tentativa de obter apoio do então governo americano para pressionar o ministro Alexandre de Moraes. Em julho de 2025, os Estados Unidos chegaram a cancelar vistos de ministros do STF e incluíram Moraes em uma lista baseada na Lei Magnitsky; posteriormente o magistrado foi retirado desse rol.
Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF decidiu receber denúncia contra Eduardo e torná-lo réu sob acusação de coação, por suas ações nos EUA visando influenciar processos contra seu pai. Em dezembro de 2025, a Câmara dos Deputados cassou o mandato do ex-deputado e, no mesmo mês, o passaporte diplomático de Eduardo foi cancelado. Em 2026, ele avaliou concorrer como suplente de André do Prado ao Senado por São Paulo, mas desistiu diante da perspectiva de impugnação devido à sua inelegibilidade.
Carla Zambelli
A ex-deputada deixou o país após ser condenada por sua participação em um ataque a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que permitiu a emissão de documentos falsos. O Supremo Tribunal Federal também a condenou pelo episódio em que apontou uma arma contra um homem na véspera do segundo turno de 2022.
Zambelli foi presa na Itália em uma operação conjunta da Polícia Federal com autoridades italianas no apartamento onde vivia desde a chegada ao país. Ela renunciou ao mandato na Câmara e aguarda decisão da Justiça italiana sobre sua extradição ao Brasil para cumprir pena de cinco anos e três meses; o processo de extradição já sofreu adiamentos.
Alexandre Ramagem
O ex-diretor-geral da Abin e ex-deputado federal deixou o Brasil em setembro de 2025, segundo a Polícia Federal, por rota clandestina pela Guiana, e passou a viver nos Estados Unidos. Ramagem foi condenado no processo relacionado ao núcleo central da trama golpista julgada pelo STF.
Após decisões recentes, o ministro Alexandre de Moraes reabriu processo contra ele. A Câmara cassou o mandato de Ramagem e, conforme relatado, o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski também determinou sua demissão da Polícia Federal. Em declarações publicadas antes do resultado eleitoral, Ramagem afirmou que voltaria ao país caso Flávio vencesse, na expectativa de anistia ou revisão da condenação.
Silvinei Vasques
O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal foi preso no Paraguai em dezembro de 2025 ao tentar embarcar para El Salvador. A prisão ocorreu após indícios de que ele havia rompido a tornozeleira eletrônica em Santa Catarina; a PF vinha monitorando seus deslocamentos.
Silvinei foi condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos e seis meses de prisão por participação na articulação de medidas para viabilizar um golpe de Estado, incluindo ações contra o voto de eleitores do Nordeste em 2022. Em sua tentativa de deixar o país, apresentou documento e bilhete com informações falsas e chegou a usar o passaporte de outra pessoa. Atualmente cumpre pena na ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
As apurações em curso sobre a suposta saída de Flávio Bolsonaro envolvem checagem de registros migratórios, monitoramento de pontos de fronteira e troca de informações com autoridades internacionais quando necessário. A Polícia Federal informou que segue investigando as rotas e as circunstâncias reportadas.










