Brasília — 27.out.2026 às 15h56
Integrantes do núcleo duro da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) afirmaram estar surpreendidos com a saída do senador do Brasil para os Estados Unidos e tentaram hoje desconectar a equipe do episódio, negando qualquer participação ou conivência.
Segundo interlocutores próximos ao senador, ouvidos pela reportagem, ninguém do entorno imediato “imaginava” que ele deixaria o país — especialmente depois de um vídeo divulgado por Flávio em que afirmava não ter pensado em sair do Brasil e se comprometer a organizar a oposição ao governo federal no Congresso Nacional.
O embarque ocorreu em menos de 24 horas após o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes suspender os passaportes brasileiro e italiano do senador, que possui cidadania europeia. Aliados relatam que, na tarde de segunda-feira (26), o parlamentar garantiu presença em reunião da bancada do PL agendada para a semana seguinte.
Um dos últimos a falar com Flávio antes do desaparecimento foi o senador Rogério Marinho (PL-RN). Marinho contou a um auxiliar que enviou mensagem por WhatsApp por volta das 8h de terça-feira (27) perguntando se estava tudo bem; Flávio respondeu que estava “esfriando a cabeça” e, depois, parou de falar. No mesmo horário, a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, disse a outro interlocutor que estava deitada com o marido.
Advogados do senador também afirmaram não ter sido avisados sobre a saída e disseram estar perplexos. Ainda segundo relatos, há discussão nos bastidores sobre a possibilidade de os advogados eleitorais deixarem a defesa, embora colegas ressaltem que rescindir o contrato exige cautela porque os honorários são pagos com verbas públicas.
Aliados ouvidos afirmaram que o governo dos Estados Unidos foi informado sobre a chegada de Flávio e que Washington deverá conceder asilo ao senador, que deve desembarcar nas próximas horas em Miami ou Dallas, segundo pessoas próximas à família. Há relatos, ainda não oficialmente confirmados, de que autoridades americanas teriam participado do plano de saída; aliados negam que a rota tenha incluído passagem pela Argentina.
O episódio também provocou movimento entre apoiadores: dois aliados disseram ter encerrado suas participações na campanha já no domingo (25), após uma derrota considerada inesperada, e afirmaram precisar resguardar suas carreiras políticas.
Senadores e governadores aliados, inclusive o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disseram a auxiliares que desconheciam qualquer plano de retirada do país e só tomaram conhecimento pelas notícias veiculadas pela imprensa. Em vídeo publicado poucas horas após a circulação das primeiras informações sobre a fuga, Tarcísio afirmou que “a eleição acabou” e defendeu um projeto para o país, sem comentar diretamente a viagem do aliado.
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos criminais — entre eles, investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro no caso do Banco Master e desvios relacionados ao INSS. Com o fim do mandato de senador, previsto para fevereiro, ele perderá o foro especial no Supremo Tribunal Federal, o que pode transferir sua eventual tramitação para instâncias inferiores.
As informações neste texto foram obtidas com pessoas próximas ao senador e a membros de sua campanha que relataram surpresa e distanciamento diante da decisão de deixar o país.
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