Brasília — Em entrevista concedida em 28 de outubro de 2026, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá conduzir um governo com iniciativas mais ambiciosas para elevar a qualidade de vida da população, sem descuidar das finanças públicas.
Fonteles declarou que as medidas anunciadas na fase final da campanha presidencial, como a ampliação do programa Pé-de-Meia, a iniciativa chamada Prospera MEI (que prevê um Pix de R$ 5 mil a empreendedores) e a proposta de tarifa zero aos finais de semana — vinculada a emendas de bancada — são compatíveis com o arcabouço fiscal vigente e podem ser implementadas de forma gradual ao longo do mandato.
Segundo o governador, a definição do pacote econômico do próximo governo será anunciada “no momento certo”, quando a equipe presidencial apresentar as linhas gerais de política fiscal e medidas de ajuste. Fonteles acrescentou que o próprio presidente já mostrou compromisso com equilíbrio nas contas públicas e que deve conciliar programas sociais com responsabilidade fiscal.
Questionado sobre a especulação de que poderia assumir o Ministério da Fazenda, Fonteles disse não ter tratado com Lula sobre cargos ou rumos da economia do novo mandato. “Sou um governante reeleito e espero tomar posse no Piauí; nunca conversei com ele sobre função no governo”, afirmou, acrescentando que se considera um aliado leal ao presidente.
Fonteles também comentou o papel das redes sociais na comunicação do governo: para ele, o uso intensificado de canais digitais torna mais provável o acerto das políticas públicas, tanto na explicação ao público quanto no recebimento de feedbacks.
Sobre a reação dos mercados e a trajetória da dívida pública, o governador avaliou que a incerteza diminuiu após a eleição e que, com uma trajetória fiscal clara e sustentável no médio prazo, as taxas de juros tendem a recuar. Ele reconheceu que a dívida em relação ao PIB vem crescendo, mas ressaltou que o governo tem apresentado melhora no resultado fiscal ano a ano e que o crescimento econômico ajudará a reduzir custos do financiamento.
Fonteles explicou que, em sua gestão no Piauí, adotou regra fiscal semelhante à federal, privilegiando aumento do investimento público e controle das despesas correntes, inclusive de pessoal. Segundo ele, o endividamento estadual cresceu, porém direcionado a obras e investimentos que fomentam o crescimento econômico.
Sobre a reforma tributária, citada no debate pelo Tribunal de Contas da União com proposta de alíquota de 11,3% para a CBS (o que, somado a tributos estaduais e municipais, poderia resultar em alíquota próxima a 30% para o IVA), o governador afirmou não ter visto o estudo do TCU, mas destacou que a premissa aprovada para a reforma foi a neutralidade — isto é, não elevar a carga tributária total. Pequenos ajustes devem ocorrer no processo legislativo, disse ele.
Quanto à proposta de regular as grandes plataformas digitais, Fonteles defendeu apurações sobre possíveis interferências nas eleições e afirmou ser necessário que crimes cometidos online tenham tratamento equivalente aos crimes no mundo real, além de mecanismos para evitar manipulação por algoritmos.
Sobre a situação envolvendo o ex-senador Flávio Bolsonaro — que recebeu 60 milhões de votos e saiu do país — o governador considerou a atitude prejudicial ao processo democrático, mas afirmou que as instituições mantêm a estabilidade e que a tentativa de tumultuar o resultado não terá efeito prático.
Raio X — Rafael Fonteles, 41
Governador reeleito do Piauí. Filho do ex-deputado federal Nazareno Fonteles (PT). Formado em Matemática e com mestrado em economia matemática, foi secretário da Fazenda do Piauí e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal).
Entrevista concedida em Brasília em 28.out.2026; declaração atualizada em 28.out.2026 às 16h50.
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