Por Isabella Menon
Washington — Parlamentares democratas dos Estados Unidos publicamente repreenderam a administração do presidente Donald Trump após a confirmação de que vistos foram concedidos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a familiares.
Na terça-feira (27), uma autoridade do Departamento de Estado informou que os vistos seriam emitidos, mas não detalhou a categoria do documento nem se há pedido formal de proteção internacional. A divulgação provocou questionamentos sobre uma eventual participação do governo americano na saída do senador do Brasil.
Flávio deixou o país depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou a entrega de seus passaportes — comum e diplomático — e lhe proibiu de viajar. A Polícia Federal havia pedido a apreensão dos documentos por identificar risco concreto de fuga. O senador desembarcou na manhã de quarta-feira em Miami; antes, teria saído do Brasil em um jato particular com escala na Argentina.
Integrantes da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes enfatizaram o contraste entre o tratamento dado a Bolsonaro e as restrições enfrentadas por pessoas que buscam refúgio por conflitos, citando como exemplo populações do Sudão e do Haiti. Em uma postagem oficial, os democratas do colegiado escreveram que, enquanto refugiados não recebem proteção, o governo estende um “tapete vermelho” a Bolsonaro, em referência ao secretário de Estado Marco Rubio.
O deputado Joaquin Castro (Texas) reagiu ironicamente: “Perder uma eleição não é motivo para asilo”. Em publicação nas redes sociais, Castro afirmou que o governo Trump deve prestar esclarecimentos ao Congresso sobre seu eventual envolvimento em ajudar Bolsonaro a deixar o Brasil em possível afronta à legislação brasileira.
Outro representante, Shri Thanedar (Michigan), afirmou que Flávio estaria tentando escapar de investigações no país depois de perder a corrida presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e listou acusações que pesam contra o senador — entre elas suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O presidente Trump foi questionado na noite de terça-feira sobre a entrada de Flávio nos EUA e declarou que aprovaria a medida. “Acho que são pessoas decentes. As eleições foram realmente estranhas. Estaria tudo bem para mim”, disse Trump, repetindo dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas.
Até o momento, o Departamento de Estado não informou publicamente qual tipo de visto foi concedido nem se houve solicitação de proteção internacional. Democratas no Congresso seguem cobrando explicações formais sobre a atuação do governo americano no caso.
Publicado em 28.out.2026 às 16h18
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