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SPTrans: gestão de Ricardo Nunes executou 58,6% das partidas de ônibus previstas no segundo turno em SP

SPTrans: gestão de Ricardo Nunes executou 58,6% das partidas de ônibus previstas no segundo turno em SP

Por Mariana Zylberkan — São Paulo, 28.out.2026 às 15h45

Relatório da SPTrans entregue ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) mostra que a administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) disponibilizou 58,6% das partidas de ônibus previstas para o domingo do segundo turno, em 25 de outubro. Do total de 163.015 viagens programadas, foram monitoradas 95.552 partidas, segundo dados obtidos por meio do sinal de GPS dos veículos.

O documento foi enviado à Justiça Eleitoral no âmbito de uma ação civil pública, em 27 de outubro. A SPTrans informou também que, naquele dia, aproximadamente 3,2 milhões de passageiros utilizaram o sistema de ônibus da capital.

Em nota, a prefeitura afirmou que aplicou mais de R$ 1 milhão em multas às empresas de ônibus que não cumpriram a quantidade de viagens previstas, em atendimento à determinação judicial que exigia a circulação de 100% da frota no dia da votação.

A gestão municipal ressaltou ainda que o presidente do TRE-SP não identificou insuficiência de transporte no segundo turno e que o Ministério Público se manifestou contra o prosseguimento de uma ação popular apresentada por parlamentares do PSOL sobre o tema.

Na segunda-feira anterior, o prefeito havia declarado publicamente que 71% da frota havia circulado no segundo turno — o que corresponderia a 8.814 ônibus de um total estimado em cerca de 12 mil veículos.

O relatório encaminhado ao TRE aponta que a região central foi a mais afetada, proporcionalmente, pela diferença entre partidas previstas e partidas monitoradas. Em todas as regiões da cidade houve redução do serviço em relação ao programado; na zona leste, onde se concentra o maior volume de usuários, foram realizadas 35 mil das 61,3 mil partidas agendadas.

Os registros por horário mostram concentração de demanda nas horas da manhã: às 8h havia 251 mil passageiros, o pico ocorreu às 9h com 287 mil, seguido por 283 mil às 10h e 275 mil às 11h. Após a manhã, houve nova elevação no número de partidas monitoradas às 17h, quando foram contabilizadas 144,3 mil pessoas — cerca da metade do pico registrado pela manhã (286,9 mil às 9h).

A lacuna no transporte público durante o segundo turno motivou atuação do Supremo Tribunal Federal: o ministro Cristiano Zanin chegou a determinar a extensão do horário de votação até as 19h em todo o país, medida posteriormente ajustada para valer apenas em seções que ainda estivessem abertas. A Polícia Federal abriu investigações sobre denúncias de restrição ao transporte em cidades como São Paulo e Salvador.

Sobre a decisão da Justiça Eleitoral divulgada dois dias antes do pleito, a prefeitura afirmou ter lamentado a mudança de regra aplicada ao transporte coletivo com prazo tão curto. Em defesa do cumprimento da determinação, a gestão apresentou na ação uma lista com data e horário em que comunicou — entre 14h e 15h de sábado (24.out) — cerca de 40 empresas responsáveis pela operação da frota na cidade.

Autoridades e órgãos públicos já haviam alertado a administração municipal meses antes para a necessidade de garantir oferta de transporte compatível com dias úteis durante eleições. A exigência, em vigor desde 2023 por decisão do STF, foi reiterada por ofícios enviados ao município pelo TRE-SP, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Defensoria Pública da União. A prefeitura afirmou ter respondido a esses ofícios e informado que disponibilizaria oferta compatível com a demanda de passageiros.

O envio dos dados ao TRE-SP integra o processo judicial e deverá ser avaliado no âmbito da ação civil pública e das apurações em curso.

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via Folha de São Paulo

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